A reunião realizada na última segunda-feira (31), na Vila Belmiro, prometia ser um marco na possível venda do Santos para a SDC Sports, fundo de investimento norte-americano. No entanto, o que se viu foi um encontro marcado por desconfiança e críticas por parte do Conselho Deliberativo do clube. O presidente Marcelo Teixeira conduziu o processo e assinou um termo com a empresa, mas os conselheiros saíram do encontro com mais perguntas do que respostas.
Os representantes da SDC Sports — Diego Garcia (co-fundador), Michael Lipman (sócio) e Jesse Fioranelli (possível executivo de futebol da SAF) — focaram suas apresentações em suas trajetórias pessoais e conquistas profissionais, deixando de lado os detalhes concretos da proposta de compra. Segundo relatos obtidos pelo Bolavip Brasil, um conselheiro destacou que, quando questionado, Marcelo Teixeira se limitou a citar uma cláusula de confidencialidade como justificativa para não revelar mais informações.
A reunião também trouxe à tona que a XP Investimentos liderou o processo de transformação do clube em SAF, e que o fundo norte-americano foi escolhido entre 60 propostas. Porém, nem o presidente nem a XP revelaram os nomes das outras empresas interessadas, o que aumentou a desconfiança entre os conselheiros.
O ponto central da discórdia é a necessidade de alteração estatutária. Atualmente, o Santos só pode vender 49% de suas ações, mas a SDC Sports deseja adquirir 80% da SAF. Para muitos conselheiros, essa pressa em aprovar a mudança estatutária esconde interesses pessoais da diretoria, e não o bem do clube.
“O que me parece é que querem acelerar o mais rápido possível por puro interesse próprio, não por interesse do clube. O assunto da SAF é muito sério e precisa ser tratado com seriedade, com gente preparada e planejamento de curto, médio e longo prazo”, desabafou um conselheiro ao Bolavip Brasil.
A insatisfação é tamanha que membros da oposição chegaram a usar o termo “SAF fantasma”, evidenciando a falta de credibilidade da SDC Sports. Enquanto isso, a dívida do clube, que já beira R$ 1 bilhão, e a promessa de investimento de R$ 2 bilhões (sendo R$ 1 bilhão para o futebol e o restante para pagar dívidas) não foram suficientes para acalmar os ânimos.
Marcelo Teixeira, que ainda não confirmou se tentará a reeleição — as eleições estão marcadas para o fim do ano —, defendeu-se em nota oficial: “A diretoria executiva sempre teve cuidado no assunto da SAF. Concluímos hoje toda a documentação e cabe ao Conselho Deliberativo entender o processo e votar as mudanças estatutárias para que, se for do desejo do conselho e dos sócios, a SAF seja concretizada ou não.”
A pressão sobre o Conselho Deliberativo é enorme, e a decisão sobre o futuro do Santos promete ser uma das mais conturbadas dos últimos anos. Fica a pergunta: será que a pressa da diretoria beneficia o clube ou apenas interesses políticos? O tempo, e os conselheiros, dirão.
Fonte: br.bolavip.com



