O Palmeiras garantiu vaga na semifinal da Libertadores, e claro, isso merece comemoração. No entanto, uma classificação tão sofrida não pode mascarar um problema que salta aos olhos: a defesa alviverde virou um verdadeiro ponto fraco nas bolas aéreas.
Em Quito, os três gols da LDU surgiram exatamente de jogadas pelo alto. Segovia empatou de cabeça, e Estrada marcou duas vezes nos minutos finais. Carlos Miguel, com duas defesas nos pênaltis, foi o herói que evitou uma eliminação que entraria para a história.
O primeiro gol já soou como alerta. Segovia apareceu livre na área para cabecear após falha de posicionamento de Alexander Barboza. Depois, quando o Palmeiras vencia por 2 a 1 e tinha a vaga praticamente assegurada, Bruno Fuchs falhou duas vezes diante de Estrada. O atacante marcou aos 45 e aos 48 do segundo tempo, e quatro minutos bastaram para transformar tranquilidade em drama.
Não dá para tratar isso como acaso. Abel Ferreira escalou três zagueiros justamente para dar mais proteção à defesa. Mesmo assim, o Palmeiras levou três gols aéreos. A questão não é o número de defensores, mas a forma como eles protegem a área, acompanham os adversários e atacam a bola.
A altitude de Quito, a 2.850 metros, sem dúvida pesa. A bola viaja diferente, e a LDU explorou isso com cruzamentos o jogo inteiro. Mas se o time sabia que essa seria a principal arma do rival, a concentração defensiva precisava ser redobrada. Levar dois gols aéreos nos minutos finais não pode ser justificado apenas pela altitude.
Vitor Castanheira, auxiliar de Abel, argumentou que o desgaste físico pela altitude contribuiu para os gols no fim. É uma explicação plausível, mas não pode virar desculpa automática. O Palmeiras conhecia as condições de Quito. Se o cansaço era tão previsível, por que não mexer antes? Por que deixar duas substituições para os minutos finais? Essa discussão precisa acontecer dentro do clube.
E Abel também entra nessa conta. O treinador é responsável pelo modelo de jogo, pela organização defensiva e pelas escolhas durante a partida. Não se trata de jogar todos os gols nas costas do português. Os jogadores também cometeram erros individuais claros. Mas quando o mesmo problema se repete, é dever da comissão técnica encontrar uma solução.
O problema não começou nesta quarta. Na final da Libertadores de 2025, Danilo marcou o gol do título do Flamengo em cobrança de escanteio, completamente livre na área. O Palmeiras perdeu aquela decisão por 1 a 0. E nesta temporada, sofreu com bolas aéreas diante do Fluminense: no 3 a 2 pelo Brasileirão, o adversário marcou três vezes, sendo os dois últimos gols em cruzamentos.
A ausência de Gustavo Gómez em Quito, suspenso, também deixa uma reflexão. A partida mostrou mais uma vez o quanto o paraguaio é insubstituível em liderança e segurança defensiva. Quando ele não está, os outros zagueiros precisam assumir essa responsabilidade.
O Palmeiras teve sorte, competência de Carlos Miguel e força mental para sobreviver. O goleiro foi gigante e merece todos os créditos. Mas esconder esse defeito debaixo do tapete é um risco que o clube não pode correr.
Fonte: br.bolavip.com



