Santos adia votação do estatuto e oposição canta vitória: ‘Vencemos a primeira batalha’

Santos adia votação do estatuto e oposição canta vitória: ‘Vencemos a primeira batalha’

O Conselho Deliberativo do Santos tomou uma decisão que mexeu com os bastidores do clube nesta quarta-feira (4): a Assembleia Geral com os sócios, que estava agendada para o próximo domingo (8) e definiria o novo estatuto do Peixe, foi adiada. A informação foi confirmada pelo próprio clube em seu site oficial, com a justificativa de que as alterações no regime interno poderiam criar entraves na eleição presidencial marcada para dezembro.

A decisão saiu das mãos de Fernando Akaoui, presidente da mesa do Conselho, que alinhou o adiamento com a gestão atual e também com os pré-candidatos ao pleito de dezembro. Na disputa contra Marcelo Teixeira estão Ivan Luduvice, Wladimir Mattos, José Renato Quaresma e Maurício Maruca.

O ponto central da justificativa oficial é o calendário. Na avaliação dos envolvidos, o novo texto não daria tempo hábil para que as chapas se inscrevessem. Isso porque, com o estatuto aprovado, os pré-candidatos teriam que confirmar suas candidaturas até 12 de novembro. Hoje, o prazo de inscrição vai até 22 de novembro. Ou seja: a mudança comprimiria o cronograma e criaria um cenário de incerteza jurídica e política.

Apenas depois da eleição, prevista para 12 de dezembro, é que uma nova data será definida para tratar das alterações no regime interno do clube. E o motivo desse adiamento ser tão sensível tem nome: SAF. A principal mudança proposta pelo Conselho Deliberativo gira em torno da possível venda da Sociedade Anônima do Futebol.

Hoje, o Santos só pode negociar 49% das ações. Se o novo estatuto passasse, o Peixe ficaria autorizado a vender até 80% para um investidor. A gestão de Marcelo Teixeira mantém conversas com a empresa SDC Sports para vender parte do clube — mas o fundo de investimentos exige exatamente essa mudança estatutária para que as negociações avancem. Por isso, a atual diretoria tinha grande interesse em aprovar o texto.

Do outro lado, os pré-candidatos à presidência são críticos ferrenhos desse processo envolvendo a possível venda do clube. E foi justamente esse grupo que comemorou o adiamento, enxergando no episódio um revés para a gestão atual.

Wladimir Mattos foi direto ao ponto: para ele, o adiamento representa uma derrota da gestão, e a Assembleia do dia 8 poderia ter dado sinais importantes sobre quem é favorito na eleição de dezembro. “Existia uma disputa de versões entre conselheiros opositores à gestão e a mesa do CD. Por isso, até que esse assunto fosse esclarecido, era desejável o adiamento da votação. Agora, nossa posição era contrária à aprovação por conta do sistema de votação estabelecido e da transferência de ativos do clube para a SAF”, explicou. “Mas não para a gestão. O sim, mesmo em eventual derrota, enviaria alguns sinais importantes do que poderia ser o cenário em dezembro nas eleições”, completou.

Maurício Maruca também celebrou o resultado: “Nossa pressão deu resultado, torcida santista. Vencemos a primeira batalha. Nossa mobilização, a ação na Justiça e o pedido de liminar tiveram um primeiro resultado importante: o presidente do Conselho, Fernando Akaoui, teve o correto entendimento de que há itens na proposta de alteração do estatuto que não podem ser colocados em pauta e adiou a votação do novo Estatuto para depois das eleições”.

Ivan Luduvice seguiu a mesma linha e classificou a suspensão como uma vitória coletiva: “A suspensão da votação do novo Estatuto, prevista para o próximo domingo, é uma vitória do Santos Futebol Clube, dos seus associados e de todos os santistas que se mobilizaram para impedir que uma discussão tão importante fosse conduzida de maneira açodada”.

Já José Renato Quaresma usou as redes sociais para soltar o verbo no X: “Essa é a primeira derrota do Marcelo Teixeira. A próxima é na urna. A nossa força fez eles recuarem. Faltou transparência e bloqueamos o golpe que queriam passar! Sem golpe! O Santos não tem dono!”.

O clima nos bastidores é de disputa acirrada. De um lado, uma gestão que quer viabilizar a SAF com capital externo. Do outro, uma oposição organizada que transformou o adiamento em combustível para a eleição de dezembro. Uma coisa é certa: o tabuleiro político do Peixe está longe de se estabilizar — e o próximo lance acontece nas urnas.

Fonte: br.bolavip.com

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