Palmeiras de Abel: O Calcanhar de Aquiles Contra Retrancas no Brasileirão

Palmeiras de Abel: O Calcanhar de Aquiles Contra Retrancas no Brasileirão

O empate sem gols contra o Internacional, no último fim de semana, reacendeu um alerta que já não é novidade para o torcedor palmeirense: o time de Abel Ferreira segue travado quando o adversário se fecha atrás. Não é questão de falta de estrela no elenco — o Verdão tem peças para decidir em qualquer cenário — mas o problema se torna crônico quando o oponente estaciona o ônibus na frente da área e reduz os espaços no campo.

Diante do Colorado, a cena se repetiu. O Palmeiras até tentou, trocou passes, ocupou os lados do campo e buscou brechas perto da grande área, mas esbarrou em uma defesa compacta, bem postada e com linhas curtas. O Inter não precisou ser brilhante: foi eficiente em anular os corredores centrais e forçou o time da casa a um ataque previsível, sem profundidade e sem velocidade para furar o bloqueio.

A principal dificuldade está clara: quando o rival recua, o Palmeiras demora a acelerar a posse. A bola vai de um lado para o outro, os laterais se projetam, os meias tentam tabelas, mas falta o passe que quebra a primeira linha de marcação. Enquanto isso, o adversário ganha tempo para se reorganizar, e o ataque se torna uma dança sem passo novo — bonita de ver, mas sem efetividade no último terço.

Contra o Inter, o Colorado ainda mostrou como se faz para sair em vantagem nesse cenário: suportou a pressão e, quando roubava a bola, acelerava com Johan Carbonero pelos flancos. O Palmeiras, por outro lado, esbarrou na sua própria previsibilidade. A posse de bola até foi maior, mas as finalizações perigosas foram escassas, e o placar não saiu do zero.

O 0 a 0 serviu como um espelho do que já se viu em outras rodadas do Brasileirão. O Inter não dominou o jogo, mas também não precisou disso. Bastou ser organizado, paciente e letal no contra-ataque para equilibrar as ações. E é exatamente aí que mora o perigo para Abel Ferreira: em um campeonato de pontos corridos, onde muitos times se comportam como o Colorado, esse bloqueio mental e tático pode custar caro.

O recado é claro: se o Palmeiras quiser brigar pelo título, precisa urgentemente decifrar o código das retrancas. A qualidade individual existe, mas é preciso mais movimento, mais troca de posição e mais ousadia para furar os blocos baixos. Caso contrário, o time vai continuar tropeçando em adversários que, à primeira vista, parecem inferiores — e o sonho do bi pode escapar entre os dedos.

Fonte: br.bolavip.com

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