A classificação sobre a LDU escancarou um dilema que Abel Ferreira vai precisar administrar com maestria ao longo da temporada. O duelo em Quito mostrou que o Palmeiras tem, no ataque, duas soluções completamente diferentes — e nenhuma delas é errada. A questão é saber quando usar cada uma.
Flaco López começou jogando no Equador e deu ao time aquela referência física que todo treinador ama quando precisa de jogo direto. Já Vitor Roque entrou na segunda etapa e bagunçou a defesa adversária com mobilidade e aceleração. Foi ele quem sofreu e converteu o pênalti que recolocou o Verdão na frente, além de abrir a série nas penalidades. Ou seja: cada um resolveu um problema específico.
O argentino é aquele centroavante que não precisa tocar muito na bola para ser decisivo. Ele ocupa a área, segura os zagueiros, transforma cruzamentos e bolas verticais em finalizações. Vitor Roque, por outro lado, é pura explosão: ataca o espaço nas costas da defesa, arrasta marcadores e abre corredores para quem vem de trás. São perfis distintos que mudam completamente a dinâmica ofensiva.
Os números da Libertadores explicam por que Flaco segue com moral no elenco. Ele divide a artilharia do Palmeiras na competição com Jhon Arias — ambos com três gols — e aparece entre os nomes mais importantes da campanha ofensiva. A própria Conmebol destaca a presença de área e a finalização do argentino, enquanto Arias é descrito como um coringa que joga em vários setores. Não é pouca coisa: são formas diferentes de construir o ataque.
Na vitória por 1 a 0 sobre a LDU, no primeiro jogo, o Palmeiras produziu 23 finalizações e oito no alvo. Mesmo sem converter todo esse volume em gols, o time mostrou que consegue ocupar a área e chegar ao último terço. Flaco foi peça central nesse quebra-cabeça, dando referência para cruzamentos e ligações diretas.
Já Vitor Roque traz outra lógica. Sua principal contribuição está em finalizar e mexer com a geometria da defesa adversária. Quando acelera para atacar profundidade ou se desloca para os lados, ele tira o zagueiro da zona de conforto e cria espaço para quem chega de trás. Foi exatamente isso que aconteceu em Quito: depois de Flaco começar jogando, Vitor entrou no segundo tempo e participou diretamente do segundo gol, reacendendo o poder de ameaça do time.
A escolha do centroavante impacta diretamente quem está ao redor. Com Flaco, o Palestra potencializa cruzamentos e ataques com presença na área. Com Vitor, ganha uma alternativa mais vertical, capaz de acelerar a jogada e atacar espaços. Arias, Mauricio, os alas e os meio-campistas encontram corredores diferentes dependendo de quem ocupa a posição mais avançada.
Abel pode — e deve — enxergar os dois como soluções para problemas distintos. Em jogos nos quais o Verdão precisa empurrar o adversário para perto da própria área, a presença física de Flaco vale ouro. Em confrontos com espaço para transição ou necessidade de pressionar uma defesa que sobe, a velocidade de Vitor Roque ganha peso. E os dois podem até coexistir, dependendo do desenho tático escolhido.
A trajetória recente mostra que não existe resposta definitiva. Antes da volta contra a LDU, Abel escalou Flaco e Arias como dupla de ataque e deixou Vitor Roque no banco. A estratégia também considerou a altitude e a necessidade de administrar o esforço físico. Depois, tudo mudou. E é justamente essa capacidade de adaptação que transforma o Palmeiras em um time tão perigoso em cenários tão diferentes.
Fonte: br.bolavip.com



