Os mercados abriram a semana com um tom cauteloso. Enquanto os futuros de Nova York operam praticamente estáveis, o petróleo Brent registra leve alta de 0,5% no início do pregão asiático. O motivo? As tensões no Oriente Médio voltaram a ganhar força após Israel realizar ataques no sul do Líbano, matando 11 pessoas, incluindo um comandante sênior do Hezbollah. Essa foi a ação mais letal desde o cessar-fogo firmado em junho, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou como retaliação a um ataque que feriu três soldados no sábado.
O cenário geopolítico segue como o grande vilão da volatilidade. As negociações entre Washington e Teerã continuam travadas, especialmente em relação ao Estreito de Hormuz, e os EUA já preparam um plano de isolamento econômico contra o Irã. Para Kyle Rodda, analista sênior da Capital.com, a incerteza política continua pesando no sentimento dos investidores, mas a ausência de uma escalada militar mais severa ajudou a conter os extremos de oscilação.
Na sexta-feira, as ações americanas recuaram dos recordes depois que o índice de sentimento do consumidor veio pior que o esperado e as vendas no varejo despencaram mais de um ano. O dólar, por sua vez, atingiu o menor nível desde maio, com os investidores diminuindo as apostas de um novo aumento de juros pelo Federal Reserve em setembro.
Agora, todos os olhos se voltam para a Ásia. A China divulga importantes indicadores econômicos, como vendas no varejo e produção industrial. Economistas consultados pela Bloomberg preveem uma leve aceleração do consumo, mas a indústria deve desacelerar. Wee Khoon Chong, estrategista do BNY, alerta que o ímpeto macroeconômico chinês segue se deteriorando, com crédito fraco e inflação baixa. Mesmo assim, há expectativa de resiliência em setores como tecnologia.
Já o Japão apresenta o crescimento do PIB do segundo trimestre. A expectativa é de aceleração, puxada pelo consumo das famílias e investimentos corporativos. Isso pode dar mais munição ao Banco do Japão para subir juros já no próximo mês, fortalecendo o iene. Elias Haddad, da Brown Brothers Harriman, destaca que uma economia nipônica mais robusta aliviaria as preocupações fiscais e reforçaria a normalização da política monetária.
Nos mercados, o euro segue estável em US$ 1,1567, o iene em 159,34 por dólar, e o yuan offshore em 6,7430. O bitcoin cai levemente 0,2%, para US$ 62.906,66. O jogo virou para os dados macro — e para o que acontece no Oriente Médio. Fique de olho, porque a próxima semana promete.
Fonte: www.infomoney.com.br



