Um movimento ganha força em Washington: as principais montadoras dos Estados Unidos pressionam o Congresso a aprovar uma proibição permanente para veículos chineses. A informação é da Reuters, em reportagem de David Shepardson, publicada em 2 de novembro.
Segundo a apuração, um grupo que representa quase todas as grandes fabricantes de automóveis fez um apelo direto aos parlamentares norte-americanos. O pedido é que a medida seja aprovada quando os legisladores voltarem a se reunir, na próxima semana, em uma sessão rápida após as eleições de meio de mandato.
A Aliança para a Inovação Automotiva, entidade que reúne gigantes como General Motors, Toyota, Volkswagen e outras montadoras de peso, está à frente da articulação. Seu presidente, John Bozzella, foi enfático ao defender a barreira contra os carros chineses.
“Precisamos proteger o mercado dos EUA de uma enxurrada de importações chinesas que trazem riscos de vigilância e prejudicam os fabricantes atuais, que fizeram investimentos de gerações nas comunidades americanas”, declarou Bozzella.
Vale lembrar o histórico da proposta: em setembro, os autores do projeto bipartidário no Senado concordaram em adiar a tentativa de acelerar a tramitação até novembro, mesmo com apoio esmagador. Uma comissão do Senado já havia aprovado o texto em julho, e a versão da Câmara conta com mais de 100 coautores. Montadoras e assessores legislativos alimentam a expectativa de aprovação definitiva ainda neste ano.
O cenário, porém, é incerto. Alguns assessores do Congresso e lobistas do setor automotivo avaliam que, caso os democratas conquistem o controle do Congresso, talvez não haja tempo hábil para aprovar a proibição antes do fim da sessão, em dezembro.
Bozzella usou o exemplo europeu como alerta. Ele citou os avanços chineses no mercado do Velho Continente: nos primeiros oito meses de 2026, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China — mais do que em todo o ano de 2025. “Dado o risco óbvio à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que têm conseguido fazer impunemente na Europa”, afirmou.
Do outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou à Fox News em setembro que aceitaria que montadoras chinesas fabricassem carros em solo americano — o que acendeu um sinal de alerta no setor. Já uma regulamentação imposta pelo antigo governo Biden no início de 2025 proibiu efetivamente que montadoras chinesas vendessem ou fabricassem veículos de passageiros nos EUA, sob o argumento de que elas poderiam enviar dados confidenciais dos motoristas para a China. Washington também mantém tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses.
O Ministério das Relações Exteriores da China já havia instado os Estados Unidos a “respeitar as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência leal”, classificando propostas anteriores contra empresas chinesas como “repressão irracional”.
Para quem acompanha a bolsa de valores, o desfecho dessa disputa merece atenção: decisões regulatórias desse porte mexem com cadeias produtivas inteiras, afetam resultados de montadoras listadas e podem redesenhar o fluxo de investimentos no setor automotivo global.
Fonte: www.infomoney.com.br



