O Tesouro Reserva chegou para agitar o mercado de investimentos de alta liquidez. Com aporte inicial de apenas R$ 1 e resgate disponível até de madrugada, ele já movimentou R$ 83 milhões em 11.300 operações no primeiro dia, com média de R$ 7,3 mil por aplicação, segundo dados oficiais. Mas será que esse produto é realmente uma escolha infalível? Especialistas dizem que depende – e muito – do seu perfil e objetivos. Vamos mergulhar nos prós e contras para você decidir com clareza.
**O que faz o Tesouro Reserva brilhar**
A grande inovação está na combinação de três fatores que, até então, não existiam juntos num produto acessível ao varejo: liquidez imediata via Pix, risco de crédito soberano (do governo federal) e rentabilidade atrelada à Selic. Eduardo Marocke, da Faza Capital, destaca que essa união é o diferencial. André Matos, da MA7 Negócios, complementa: o produto traz segurança soberana, simplicidade de app bancário e previsibilidade total no resgate, sem a famosa “marcação a mercado” que assusta muitos investidores.
Comparado à poupança, a vantagem é nítida. Enquanto a caderneta rende cerca de 0,6% ao mês, o Tesouro Reserva entrega aproximadamente 0,9% ao mês na Selic atual, já descontando o IR de 22,5% nos primeiros seis meses. Isso representa cerca de 150% do rendimento da poupança, com risco soberano, enquanto a poupança tem risco bancário. Frente ao Tesouro Selic, o Reserva ganha em acessibilidade e previsibilidade, já que o Selic só é resgatado em dias úteis e sofre marcação a mercado. Já os fundos DI, com taxas de 0,30% a 1% ao ano, são apontados como “grandes perdedores” por Matos, pois não têm FGC, têm horários limitados, sofrem come-cotas e podem render abaixo do CDI.
**Os pontos de atenção**
As desvantagens começam nos custos. O IR começa em 22,5% para resgates em até 180 dias, e há IOF elevado nos primeiros 30 dias. A taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano incide sobre saldos acima de R$ 10 mil. Além disso, há um limite de aplicação de R$ 500 mil por mês por CPF, e por enquanto o produto está disponível apenas para correntistas do Banco do Brasil. Mas a expectativa é que outros bancos, como o Bradesco via Ágora, entrem em breve.
**Afinal, para quem vale a pena?**
Luigi Wis, da Genial Investimentos, é direto: para investimentos de até R$ 10 mil e de curto prazo, como reserva financeira, o Tesouro Reserva é uma excelente opção. Acima desse valor, a taxa de custódia começa a corroer a vantagem. Nessa faixa, CDBs de liquidez diária e caixinhas que pagam 100% do CDI se tornam mais rentáveis, já que não têm essa taxa. Portanto, se você busca uma reserva de emergência com liquidez imediata e segurança máxima, o Tesouro Reserva é uma baita ferramenta. Mas para valores maiores e prazos mais longos, é melhor comparar com outras opções. A escolha certa depende do seu momento e objetivos.
Fonte: www.infomoney.com.br



