A torcida do Internacional respirou aliviada, e não é para menos. A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu uma liminar que libera a Guarda Popular a entrar com seus instrumentos musicais no Gre-Nal 454, decisivo confronto pelas quartas de final da Copa do Brasil, marcado para esta quinta-feira (3), na Arena. A decisão veio na véspera do clássico, após uma verdadeira batalha jurídica que mobilizou torcedores e advogados.
Primeiro, o advogado e torcedor Ananias Rodrigues tentou, mas o pedido foi indeferido por se tratar de uma ação de terceiros. Não demorou para o conselheiro Leonardo Aquino, também advogado, protocolar uma nova ação em nome das lideranças da Guarda Popular. Dessa vez, a Justiça atendeu ao pedido, garantindo que a organizada colorada possa fazer barulho na Arena.
A juíza Jocelaine Teixeira, ao analisar o caso, entendeu que não havia motivos concretos para uma punição prévia à torcida, justamente em um jogo de tamanha importância. A decisão destacou que manifestações de crítica — seja à Brigada Militar, ao Ministério Público, ao Judiciário, a dirigentes ou até a jogadores — estão protegidas pela liberdade de expressão. Mas ela foi clara: cantos racistas, homofóbicos, misóginos ou que façam apologia à violência continuam fora dessa proteção.
Curiosamente, durante a tarde de quarta-feira (2), o Ministério Público tentou reforçar a acusação anexando imagens de sinalizadores acesos no último clássico. No entanto, não houve comprovação de que a Guarda Popular, como grupo, tenha participado da ação. Isso pesou a favor da torcida.
Além da Guarda Popular, outras organizadas coloradas também poderão usar instrumentos, respeitando o limite de 15 equipamentos. A medida veio em meio à polêmica sobre a restrição imposta especificamente ao Inter, que gerou forte reação do clube.
O Internacional já havia se posicionado contra a restrição da Brigada Militar antes mesmo da decisão judicial. Em nota oficial, o clube afirmou respeitar a corporação e reconhecer seu papel na segurança, mas demonstrou preocupação com a medida. Para o Colorado, qualquer sanção deve ser isonômica, proporcional e baseada em critérios objetivos.
O clube reforçou que o último clássico terminou sem intercorrências que justificassem uma punição exclusiva à torcida colorada. A direção confiou na revisão da medida e prometeu seguir dialogando com as autoridades, mantendo o respeito institucional, mas sem abrir mão de um tratamento igualitário entre os clubes.
Agora, com a liminar concedida, a torcida poderá apoiar o time em um dos jogos mais importantes da temporada, fazendo a Arena vibrar com seus tambores e cantos. A decisão não só garante o direito de manifestação, mas também reforça a importância da liberdade de expressão no esporte, desde que dentro dos limites da lei.
Fonte: br.bolavip.com



