O Grêmio entrou em campo no Nilton Santos e saiu derrotado por 3 a 2 pelo Botafogo, mas o placar, por si só, não conta toda a história. O que fica é a sensação de que o Tricolor segue patinando como único time do Brasileirão sem vencer fora de casa — um incômodo que se arrasta há meses e que agora cai no colo de Renato Portaluppi.
É fundamental separar o joio do trigo. O Grêmio tem falhas estruturais, especialmente na defesa, e não dá para jogar toda a culpa na arbitragem. Foram três gols sofridos e, mais uma vez, a equipe mostrou uma fragilidade preocupante para proteger sua área, cedendo espaços que o Botafogo, com sua qualidade, não perdoou. Por outro lado, a entrega dos jogadores em campo merece reconhecimento.
Um time em busca de identidade
O verdadeiro desafio de Renato será converter garra em organização. O Grêmio correu, lutou e não se entregou em momento algum, chegando a reduzir para 3 a 2 e pressionando até os acréscimos. Gustavo Martins marcou aos 42 minutos do segundo tempo, e Carlos Vinícius ainda balançou as redes, mas o gol foi anulado. O problema é que, hoje, falta um padrão de jogo claro. A equipe oscila demais, sofre defensivamente e parece depender mais de lampejos individuais do que de um sistema coletivo bem ajustado. Renato terá trabalho duro, principalmente para dar equilíbrio a um time que não pode continuar oferecendo tantas chances ao adversário.
Por outro lado, um ponto positivo merece destaque: o Grêmio não desistiu. Mesmo com a desvantagem de 3 a 1, seguiu competindo, buscou forças para marcar duas vezes no fim e quase arrancou um empate que parecia impossível minutos antes. Isso não resolve os problemas, mas mostra que ainda há disposição para lutar.
A questão é que, na situação atual, apenas correr e se doar não basta. É preciso competir com inteligência. O Grêmio precisa defender melhor, controlar os espaços e saber quando acelerar e quando ter paciência. Renato chega exatamente para tentar transformar essa vontade em um time reconhecível.
A arbitragem volta ao centro do debate
E aqui há outro ponto impossível de ignorar. O gol de Carlos Vinícius, que poderia ter selado o empate, foi anulado por impedimento semiautomático. A própria imagem da transmissão não pareceu conclusiva, e a linha traçada gerou questionamentos, já que o atacante aparentava estar na mesma linha do defensor.
A revolta gremista aumentou porque, na visão do clube, não se trata de um episódio isolado. O vice-presidente de futebol Rafael Lima declarou após a partida que a CBF já havia reconhecido outros erros envolvendo o Grêmio, citando um gol anulado contra o Bragantino e uma expulsão não marcada diante do Vitória.
E é isso que mais incomoda: quando um erro é admitido depois, o resultado esportivo não muda. O Grêmio não recebe os pontos de volta, não recupera a posição perdida e não apaga o impacto daquele lance na tabela. A discussão sobre arbitragem precisa ser técnica e responsável, mas o prejuízo esportivo, uma vez reconhecido, permanece.
A conta que o Grêmio vem fazendo já chega a pelo menos cinco pontos em lances considerados prejudiciais. Independentemente da análise de cada caso, o sentimento da torcida é compreensível: não basta reconhecer depois. É preciso que os erros diminuam antes que continuem custando pontos decisivos.
Agora começa o trabalho de Renato Portaluppi
A derrota no Rio, portanto, encerra um ciclo e abre outro. Renato Portaluppi será apresentado nesta quinta-feira, às 18h, na Arena do Grêmio, em sua quinta passagem pelo clube. A missão é clara: reorganizar a equipe, corrigir a defesa e devolver ao Tricolor uma identidade de jogo. O torcedor espera que a chegada do ídolo seja o divisor de águas para uma temporada que ainda pode ser salva.
Fonte: br.bolavip.com



