No último domingo (9), o Corinthians venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 0, fora de casa, e o primeiro gol da vitória veio dos pés de Rodrigo Garro. Mas o que realmente chamou a atenção não foi apenas o gol, e sim a comemoração: o meia argentino ergueu o punho cerrado, gesto que eternizou o Dr. Sócrates, um dos maiores ídolos da história alvinegra.
Se essa celebração foi, de fato, uma homenagem ao eterno camisa 8, então Garro merece uma salva de palmas. Porque a comemoração de Sócrates não era apenas um gesto estético — era um símbolo de resistência, democracia e luta. Nos anos 80, enquanto o Brasil ainda vivia os resquícios do autoritarismo, Sócrates usava o futebol como plataforma de transformação social, liderando a Democracia Corinthiana, um movimento que deu voz aos jogadores e inspirou uma geração.
Ao repetir o punho erguido, Garro não está apenas reverenciando um ídolo do clube; ele resgata um ideal. Um ideal que defendia a liberdade, a igualdade e a solidariedade. E isso, no cenário atual, é mais relevante do que nunca.
Claro, não sabemos se a intenção do argentino foi realmente essa. Mas, como torcedor, fico na torcida para que seja. Porque relembrar Sócrates é lembrar que o futebol pode ser muito mais do que 90 minutos dentro de campo — pode ser um agente de mudança.
Sócrates atuou pelo Corinthians entre 1978 e 1984, com 298 partidas e 172 gols, conquistando o tricampeonato paulista em 1979, 1982 e 1983. Mas seu legado transcende números. Ele marcou uma época, deu consciência e mostrou que atletas também têm voz e responsabilidade social.
Se Garro quis, com seu gesto, manter viva essa memória, então ele não é apenas um bom jogador — é alguém que entende o peso da camisa que veste. E isso, meu amigo, vale mais do que qualquer título.
Fonte: br.bolavip.com



