Fair Play Financeiro: 20+ Clubes Devem e Cenário Preocupa no Brasil

Fair Play Financeiro: 20+ Clubes Devem e Cenário Preocupa no Brasil

O futebol brasileiro está vivendo um momento de virada institucional com a chegada do Fair Play Financeiro. O primeiro grande raio-x da saúde financeira das equipes foi feito pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), e o resultado é alarmante: mais da metade dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro admitiu ter dívidas. Isso significa que mais de 20 agremiações estão com passivos declarados, incluindo pendências com atletas, comissão técnica, outras entidades e até órgãos governamentais. Esse diagnóstico escancara um problema histórico que agora precisa ser encarado de frente.

A análise considera as obrigações existentes até 30 de junho de 2026. A ANRESF faz três verificações por ano e vai fechar o ciclo fiscal de 2026 analisando o balanço de 31 de outubro. Apesar do susto que esses números causam na torcida e nos bastidores, é importante entender que a simples declaração de débitos não resulta em punições esportivas automáticas para todos. Isso porque o regulamento criou um período de transição para as dívidas acumuladas antes do início desta temporada.

Esse período de adaptação vale para as dívidas contraídas antes de 2026. Os clubes têm até 30 de novembro para se organizarem, e nesse intervalo a sanção máxima é uma advertência formal. A ideia da agência é dar um respiro para que as gestões consigam reestruturar o passivo herdado sem causar um caos imediato no calendário esportivo nacional. Mas atenção: o cenário muda completamente para as obrigações que forem assumidas a partir de 1º de janeiro de 2026. Para essas dívidas novas, o regulamento é implacável: advertência pública, multa, bloqueio de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e até cassação da licença.

E é exatamente nesse contexto que entra o caso do Grêmio, que virou o primeiro grande exemplo da aplicação rigorosa das novas regras. O Tricolor gaúcho acionou um Evento de Insolvência na CNRD para negociar R$ 16 milhões em passivos, e a ANRESF respondeu com uma restrição inédita. O clube não está sob um transfer ban tradicional, mas perdeu a autonomia de registrar reforços automaticamente na CBF. Agora, para cada contratação, a diretoria precisa comprovar saldo neutro ou positivo na janela de transferências, além de manter o teto salarial congelado nos níveis dos seis meses anteriores. Ou seja, o Grêmio precisa provar que pode gastar antes de gastar.

Especialistas em direito desportivo enxergam essa distinção entre dívidas antigas e novas como essencial para que o Fair Play Financeiro funcione de verdade. O objetivo não é criminalizar a existência de dívidas, mas sim impedir que os clubes continuem gastando mais do que arrecadam e criando compromissos que não conseguem honrar. O futuro da credibilidade do futebol brasileiro depende da capacidade da ANRESF de manter uma fiscalização independente, transparente e, principalmente, isonômica. O verdadeiro teste vai acontecer quando a agência deixar de apenas diagnosticar e passar a punir de forma concreta as novas inadimplências, sem olhar para o tamanho da camisa ou o poder político dos clubes. A partir daí, o jogo vai ficar sério de verdade.

Fonte: br.bolavip.com

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