O Santos vive um momento delicado no Brasileirão e, após a derrota por 2 a 1 para o Bragantino, em Bragança Paulista, pela 34ª rodada, um nome virou alvo fácil da torcida: Everton Cebolinha. Contratado em setembro, o ponta-esquerda soma sete jogos com a camisa do Peixe e ainda não balançou as redes. A pressão nas redes sociais cresceu, e um torcedor resumiu o sentimento no X: “Espero que me cale, mas o Cebolinha, até aqui, é o que menos desempenha dos reforços. Muito discreto, e errando bastante”.
Mas será que a cobrança faz sentido? Cebolinha teve uma estreia animadora contra o Cruzeiro e, desde então, mostrou lampejos de qualidade. A única assistência pelo clube aconteceu diante do São Paulo, em uma jogada de peso que resultou no gol de Gabigol no MorumBIS. Além disso, o camisa 7 teve boas atuações contra Fluminense e Palmeiras — neste último, segundo o Sofascore, distribuiu três passes decisivos e criou uma grande chance de gol.
O ponto central é que a expectativa em torno de Cebolinha pode estar mal calibrada. Aos 30 anos, o jogador não tem um histórico recente de goleador. Suas melhores temporadas em números de gols foram pelo Grêmio: 19 gols em 51 jogos em 2018 e 20 gols em 57 partidas em 2019. Desde a passagem pelo Benfica e a trajetória no Flamengo, porém, o ponta-esquerda deixou de ser uma referência de finalização e passou a apresentar números mais discretos nesse quesito.
A verdade é que Cebolinha é um ponta de velocidade, forte no um contra um e no drible — não um artilheiro nato. E aí está o erro: cobrar dele uma veia goleadora é ignorar suas características. O problema real do Santos não é apenas a falta de gols de Cebolinha, mas sim uma carência crônica de finalização entre os homens de frente.
Os números escancaram essa dependência. O Peixe marcou 50 gols no Brasileirão, e Gabigol e Neymar, juntos, são responsáveis por 23 deles — ou seja, 46% do total. Os demais atacantes contribuem pouco: Rony marcou apenas um gol, enquanto Moisés e Thaciano balançaram as redes duas vezes cada. Curiosamente, os meias Barreal e Rollheiser, com cinco e quatro gols respectivamente, superam esses atacantes reservas em número de gols.
Esse cenário expõe uma crise no ataque santista que vai muito além de Cebolinha. Faltam quatro jogos para o fim do Brasileirão, e a situação é difícil de reverter. O próximo compromisso é contra o Coritiba, no dia 18 de novembro, pela 35ª rodada — uma chance de o Peixe tentar diluir essa dependência e mostrar que o problema não se resume a um único nome.
Fonte: br.bolavip.com



