Benchimol: empreender é empilhar grãos de areia todos os dias

Benchimol: empreender é empilhar grãos de areia todos os dias

Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho de Administração da XP Inc., trouxe uma metáfora poderosa durante o painel do GAFFFF 2026: para ele, o empreendedor nada mais é do que um empilhador de grãos de areia. A imagem traduz bem o que ele chama de persistência — aquela capacidade de seguir colocando um grãozinho por dia, mesmo quando o processo parece tedioso e frustrante.

O problema, segundo Benchimol, é que a maioria das pessoas vive no curto prazo e espera resultados imediatos. Elas ficam caçando uma bala de prata, uma solução mágica que resolva tudo de uma vez. Enquanto isso, ele próprio está fazendo a mesma coisa há 25 anos, sem atalhos. Para o executivo, empreender exige três pilares inegociáveis: insistência, resiliência e muita disciplina.

Um hábito simples revela como Benchimol mantém o foco: todas as noites, ele anota as tarefas do dia seguinte. Essa rotina o ajuda a concentrar energia em poucos objetivos e, principalmente, a dizer “não” para tudo que não está alinhado com seus propósitos principais. É uma questão de escolher onde empilhar os grãos.

Benchimol também enxerga o cenário brasileiro com otimismo. Para ele, quanto mais empreendedores o país tiver, mais avançamos. E o Brasil tem uma vantagem peculiar: muitas dores, muita coisa errada. “Dor é oportunidade”, afirma. O desejo dele é que cada vez mais novos empreendedores nasçam e sejam estimulados a transformar problemas em negócios.

Foi exatamente esse caminho que ele seguiu ao fundar a XP há 25 anos, logo depois de ser demitido do antigo emprego. Naquele momento, aprendeu uma lição sobre liderança que carregaria por toda a carreira: no mundo corporativo, a maioria das pessoas encontra chefes, não líderes. Chefe é aquele que funciona como um 0800 para tirar dúvidas. Líder é quem faz as pessoas acreditarem em coisas impossíveis e as ajuda a chegar lá.

Exercer esse papel, segundo Benchimol, exige posturas diferentes em cada fase da trajetória. Até 2010, ele foi um líder “operador”, com forte participação na execução do negócio. Com o crescimento da empresa, passou a desempenhar um papel mais voltado à gestão. Hoje, longe da cadeira de CEO, vive uma nova função: liderar sem ser o CEO, influenciando com ideias. “O mais importante é entender que, quando crescemos na vida, as coisas mudam. Fórmulas que deram certo no passado deixam de funcionar e nos obrigam a encontrar novas”, reflete.

Sobre a trajetória que levou a XP do zero a uma das maiores instituições financeiras da América Latina, ele sente orgulho, mas mantém os pés no chão: “Minha sensação é a de que ainda não chegamos lá. Estamos só começando”. E faz um alerta: se o empreendedor começa a achar que chegou lá, é o começo do fim. Ele precisa achar que não é ninguém. Essa força que mantém a guarda alta é o que faz seguir em frente.

A lição que fica é clara: empilhar grãos de areia pode parecer monótono, mas é assim que se constroem montanhas. E Benchimol, aos 25 anos de XP, continua empilhando os seus todos os dias.

Fonte: www.infomoney.com.br

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