O pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, causou polêmica ao sugerir que, se eleito, pretende flexibilizar as leis trabalhistas para permitir que jovens trabalhem mais cedo. Atualmente, a idade mínima para trabalhar no Brasil é 16 anos, com exceção para aprendizes a partir dos 14. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, Zema usou a palavra “criança” ao defender a medida, o que gerou forte reação. Depois, ele corrigiu o termo para “adolescente” em um novo vídeo, mas manteve a essência da proposta.
Zema relembrou sua própria infância, quando ajudava o pai a contar parafusos e embalar produtos. Para ele, a esquerda criou uma “noção errada” de que trabalho prejudica a criança, citando exemplos dos Estados Unidos, onde jovens entregam jornais. “Aqui, proibido, você está escravizando a criança. Tenho certeza que vamos mudar isso”, afirmou. A assessoria do candidato depois divulgou uma nova fala, dizendo que a intenção é ampliar oportunidades de trabalho para adolescentes, com proteção e sem prejudicar os estudos.
A ex-diretora global de educação do Banco Mundial, Cláudia Costin, discorda totalmente. Ela argumenta que a proposta vai contra as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho, que recomenda que crianças em idade escolar obrigatória — no Brasil, até os 17 anos — não trabalhem. Costin alerta que o país já enfrenta problemas com adolescentes de 16 a 18 anos que trabalham durante o dia e estudam à noite, com carga horária reduzida e baixa qualidade de ensino. “Em um mundo onde a inteligência artificial substitui empregos rapidamente, esses jovens serão trabalhadores precarizados”, disse.
Para Costin, a solução não é liberar o trabalho infantil, mas aumentar o tempo que os jovens passam na escola. Ela lembra que o Brasil só universalizou o ensino fundamental no início dos anos 2000, o que explica a estagnação da produtividade. A especialista defende que, em vez de incentivar o trabalho precoce, o país deveria focar em educação de tempo integral e de qualidade.
Enquanto isso, Zema segue firme em sua campanha, prometendo “mudar” a legislação para que jovens possam trabalhar mais cedo. A proposta divide opiniões e promete ser um dos temas quentes da corrida eleitoral.
Fonte: www.infomoney.com.br



