O futebol brasileiro está prestes a viver uma nova era. Neste fim de semana, as rodadas da Série A e Série B do Campeonato Brasileiro já vão testar as regras atualizadas pela Fifa, adotadas pela CBF com um objetivo claro: cortar a cera e dar mais fluidez ao jogo. E, para entender o impacto dessas mudanças, nada melhor do que ouvir quem está dentro das quatro linhas. Weverton, goleiro do Grêmio, deu sua opinião em entrevista ao ge.globo — e, embora tenha aprovado a essência das novidades, levantou uma questão que pode gerar polêmica.
O arqueiro não fugiu da realidade. Ele admite que os próprios jogadores são os grandes vilões da história. “Quando a gente está em campo, faz coisas feias até para ganhar um jogo”, confessou, sem rodeios. E foi além: revelou que, sim, já usou a famosa cera para segurar o ritmo da partida. Essa sinceridade mostra que as novas diretrizes não vieram à toa — elas são uma resposta direta ao comportamento dos atletas, que muitas vezes transformam o jogo em um espetáculo de enrolação.
Mas nem tudo são flores. Weverton fez uma ressalva importante sobre a regra que obriga a saída temporária de um jogador de linha quando o goleiro precisar de atendimento médico. A CBF explicou que a medida não será aplicada em casos de pancada real, mas essa exceção não está clara no texto oficial. E é aí que mora o perigo, na visão do goleiro. “Às vezes só tenho a dúvida, por culpa nossa, e eu me incluo também, que eu não posso nunca reclamar que o goleiro faz cera, se eu também faço e muitas vezes eu já fiz. Agora, quando vai ser verdadeiro uma lesão no goleiro, uma pancada, você vai ter que tirar alguém do campo”, destacou.
A preocupação de Weverton vai além. Ele questiona: como julgar se a lesão é real ou não? “Toda vez que um goleiro cair, tomou uma pancada, vai sair alguém do campo, eu acho que vai ficar meio estranho assim a hora de julgar. Talvez isso veio por própria culpa nossa, pela maneira que a gente quer vencer uma partida. Isso me causou assim, vai ter que jogar com dor? Eu vou ter que agora suportar a dor? Até que ponto vai me atrapalhar depois na sequência do lance?”, refletiu. São perguntas legítimas que mostram o dilema entre a busca por um jogo mais limpo e a segurança dos atletas.
E as mudanças não param por aí. A famosa Lei Vini Jr. também entra em campo, punindo com expulsão qualquer jogador, suplente ou substituído que cobrir a boca ao falar com um adversário de forma provocativa, depreciativa ou inflamatória. O VAR, por sua vez, ganha mais poderes, podendo até corrigir um segundo cartão amarelo aplicado por engano. Ou seja, o futebol está evoluindo, mas com desafios a serem superados.
O Grêmio, aliás, já terá um teste de fogo neste domingo (16). A equipe de Porto Alegre enfrenta o Atlético-MG, em Minas Gerais, às 16h (de Brasília). Será a primeira chance de ver essas regras em ação — e de descobrir se Weverton e companhia vão se adaptar ou se a polêmica vai esquentar ainda mais o campeonato.
Fonte: br.bolavip.com



