Vitor Roque no Palmeiras: quando o potencial não vira realidade em campo

Vitor Roque no Palmeiras: quando o potencial não vira realidade em campo

Tem uma diferença enorme entre ter um dia ruim e viver uma fase em que cada jogo parece uma prova. Vitor Roque, no Palmeiras, está exatamente nessa segunda situação. Na última quarta-feira, contra o Santos, ele começou no banco, entrou no segundo tempo e, mais uma vez, não conseguiu mostrar o futebol que se espera dele. O empate em 0 a 0 na Vila Belmiro garantiu a vaga na semifinal da Copa do Brasil, mas, no plano individual, o camisa 9 saiu de campo deixando no ar aquela pergunta que já virou rotina: quando ele vai deslanchar?

Claro que o contexto precisa ser levado em conta. O Palmeiras não tinha obrigação de sair pro jogo com tudo, já que a vantagem de 3 a 0 no confronto de ida deixava tudo tranquilo. O Abel Ferreira armou o time pra controlar a partida, não pra buscar outra goleada. O Santos até teve mais posse, enquanto o Verdão apostava nas transições rápidas. Então, não dá pra julgar a atuação do Vitor Roque como se ele tivesse tido um mar de chances pra mudar o jogo.

Mesmo assim, ele teve uma oportunidade clara de marcar. E isso pesa, porque não é um caso isolado. As melhores chances do Palmeiras na noite passaram pelos pés do Maurício e do próprio Vitor Roque. Num jogo em que o time criou pouco, cada finalização vira ouro. E o Vitor não converteu. Saiu de campo sem dar aquela resposta ofensiva que a torcida espera de um cara que entrou justamente pra dar profundidade e presença na área.

O problema, então, não é só o número de gols. É a sequência. O Vitor Roque chegou ao Palmeiras depois de um 2025 muito bom e já mostrou que pode ser decisivo. Mas aquele desempenho não virou consistência em 2026. Os dados do FotMob mostram quatro gols na temporada, sendo dois de pênalti, além de 22 finalizações no total, com 11 no alvo. Ou seja, ele finaliza, mas não converte com a regularidade que se espera de um centroavante titular.

O que falta, na real, é ele recuperar outras formas de impacto no jogo. Porque um atacante pode passar alguns jogos sem marcar e ainda assim ser útil. Mas o Vitor precisa voltar a atacar os espaços, ganhar duelos, participar da construção, pressionar a saída de bola do adversário e, principalmente, transformar as chances que aparecem em algo concreto. Contra o Santos, ele não fez isso. Mostrou afobação, escolhas erradas e uma ansiedade que só aumenta a pressão.

E tem mais um ingrediente nessa história: o Flaco López. O argentino não só vive um momento absurdo como fez dois gols na ida contra o Santos. Além disso, ele já era um dos jogadores mais produtivos do ataque na temporada. Então, o Abel não tá escolhendo entre dois caras em condições parecidas. Hoje, tem uma diferença clara de fase, e isso acaba definindo quem começa jogando.

A entrada do Vitor Roque, então, vira um símbolo. Quando você perde a titularidade, passa a depender dos minutos que recebe pra reconquistar seu espaço. É como uma segunda chance, uma nova avaliação. E o treinador observa não só se você marca, mas como você reage. Contra o Santos, o Vitor não conseguiu mudar a percepção de que o Flaco entrega mais segurança ofensiva. E o Abel, que já tinha cobrado publicamente o atacante, segue esperando uma reação que ainda não veio.

Mas calma, torcedor. Não é hora de crucificar o Vitor Roque. Ele é novo, tem potencial enorme e já provou que pode render. O que ele precisa é de jogo, confiança e, principalmente, cabeça fria. Porque quando a ansiedade toma conta, até o mais talentoso se perde. O Palmeiras segue vivo em todas as competições, e o camisa 9 vai ter novas oportunidades. A questão é se ele vai aproveitá-las ou se vai continuar vivendo essa distância entre o que pode ser e o que tem mostrado. O tempo responde.

Fonte: br.bolavip.com

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