O Santos empatou sem gols com o Palmeiras na última quarta-feira (28), pela 33ª rodada do Brasileirão, e escancarou um problema que vem se arrastando: a Vila Belmiro deixou de ser o temido alçapão. Jogando em casa, o Peixe tem menos de 50% de aproveitamento dos pontos — um desempenho que, convenhamos, não combina com a tradição do clube.
Segundo levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Alvinegro soma 25 pontos em 17 partidas como mandante, o que lhe rende apenas o 14º lugar nesse recorte do campeonato. Nos últimos três jogos na Vila, foram três empates. Ou seja: o caldeirão esfriou de vez.
Agora, se você olhar a classificação geral, o Santos aparece em oitavo lugar. Isso deixa claro que, com um aproveitamento minimamente decente em casa, o time estaria bem mais acima na tabela. A verdade é que, em 2026, o Peixe joga melhor como visitante — e os números comprovam.
Neste Brasileirão, o Santástico emplacou cinco vitórias consecutivas fora de casa (contra Vasco, Corinthians, Internacional, Remo e São Paulo). A invencibilidade só caiu diante do Atlético-MG, na Arena MRV, quando sofreu uma virada pela 30ª rodada. Como visitante, o time de Cuca ocupa o quinto lugar, com 22 pontos. Aprendeu a jogar longe da Vila, e os resultados longe de casa têm sido muito melhores.
Nas últimas cinco rodadas do torneio, o Alvinegro tem três compromissos como visitante: encara o Bragantino, em Bragança Paulista; o Coritiba, no Couto Pereira; e o Vitória, no Barradão. No quadro Direto da Redação, do Bolavip Brasil, a análise é clara: esses jogos fora de casa podem ser excelentes para o Peixe na briga por uma vaga na Libertadores. É perfeitamente possível somar 9 pontos nessas partidas.
E tem outro fator pesando contra a Vila: o gramado. Nesta temporada, o campo do Urbano Caldeira virou alvo constante de críticas dos próprios jogadores do Santos. O time é técnico, e um piso em péssimas condições atrapalha quem depende de habilidade. No duelo contra o Palmeiras, o técnico Abel Ferreira também detonou o gramado. O clube não faz uma reforma total no piso desde 2012 e só deve trocar o campo no fim do Brasileirão.
Com aporte financeiro da NR Sports, empresa do pai de Neymar, a reforma no gramado da Vila Belmiro começa a partir de 7 de dezembro, segundo revelou o colega Lucas Musetti. Até lá, o cenário é de campo ruim e desempenho aquém do esperado em casa.
Diante disso, considero que o ideal seria o Peixe mandar os últimos jogos em casa longe da Vila Belmiro — tanto para arrecadar mais com bilheteria quanto para atuar em um gramado melhor, que favoreça os jogadores técnicos do elenco. A partida contra o Grêmio, na 36ª rodada, deve acontecer no MorumBIS, em 23 de novembro, de acordo com Ricardinho Martins, da TNT. Mas eu também levaria o duelo contra o Botafogo, na última rodada, para fora da Baixada Santista.
Como os dez jogos da última rodada acontecem no mesmo horário, fica inviável atuar na capital paulista. Contudo, se eu fosse da direção santista, procuraria um estádio no interior de São Paulo para o Santástico mandar a partida contra os cariocas — desde que tivesse um campo bom.
O clube pode unir o útil ao agradável: atender a torcida do interior paulista e jogar em um gramado melhor. Mas o fato é que a Vila deixou de ser um alçapão, e a diretoria não pode insistir no discurso de que o time joga melhor no Urbano Caldeira. Os números mostram que essa realidade ficou no passado.
Fonte: br.bolavip.com



