Tesouro Direto trava negociações após disparada recorde nas taxas

Tesouro Direto trava negociações após disparada recorde nas taxas

O primeiro pregão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos no domingo (25), trouxe um terremoto no mercado de títulos públicos. Nesta segunda-feira (26), os papéis prefixados do Tesouro Direto registraram a maior alta diária de taxas de toda a série histórica do Tesouro, iniciada em 2005, superando até o recorde de março de 2020, no início da pandemia de Covid.

A pressão foi tamanha que, às 16h25, a plataforma do Tesouro Direto suspendeu as negociações de títulos prefixados e atrelados à inflação. O Tesouro Selic continuou disponível para compra. Na última atualização antes da paralisação, as taxas já haviam amenizado um pouco a escalada, mas seguiam muito acima dos níveis de sexta-feira (23).

O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 15,78% na abertura para 15,50%. O Prefixado 2029 foi de 15,40% para perto de 15%. Já o Tesouro IPCA+ 2032 caiu de IPCA + 8,10% para IPCA + 7,80%. Mesmo com o alívio, o estrago estava feito: o Prefixado 2032 saltou de 12,89% ao ano no fechamento de sexta para 15,78% na abertura das negociações, às 12h13 — uma alta de 2,89 pontos percentuais. No mesmo intervalo, o Prefixado 2029 foi de 12,76% para 15,40%, e o IPCA+ 2050 subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,64%.

Pelo critério da série histórica, que compara as taxas de abertura com as do pregão anterior, o avanço do Prefixado 2032 supera os 206 pontos-base de 12 de março de 2020. Todos os prefixados à venda ultrapassaram a marca daquele ano na abertura, inclusive o que menos subiu, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, com alta de 252 pontos. Nos títulos atrelados à inflação, o IPCA+ 2032 subiu 134 pontos-base na abertura, a segunda maior alta diária do grupo na série, atrás apenas dos 162 pontos de 12 de março de 2020, registrados por um papel mais curto, o IPCA+ 2024. Nos vencimentos longos, a alta de abertura, entre 113 e 118 pontos, ficou abaixo de 2020.

Com o salto, o Prefixado 2032 atingiu a maior taxa da série do título, iniciada em fevereiro de 2025, superando os 15,14% de março daquele ano. O Prefixado 2029, a 15,40% na abertura, voltou ao patamar de janeiro de 2025. Já o IPCA+ 2050 renovou a máxima da série iniciada em fevereiro de 2025, passando os IPCA + 7,54% de 30 de julho deste ano.

A plataforma do Tesouro Direto só abriu às 12h13, quase três horas de atraso. No primeiro pregão após o primeiro turno, as negociações tinham começado às 11h28. Antes da abertura, diante da disparada dos juros futuros, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos atrelados à inflação e de prefixados previstos para a semana e manteve apenas a oferta de LFT, atrelada à Selic. Logo depois, anunciou uma intervenção no mercado, com recompra de até 5 milhões de NTN-F de cada um dos vencimentos de 2031, 2033 e 2037, estratégia parecida com a adotada em março, durante a pressão causada pela guerra do Irã. Na recompra, o Tesouro readquire papéis em posse dos investidores e absorve parte da pressão de venda.

Como o leilão de recompra ocorreu entre 11h15 e 11h45, as taxas de abertura do Tesouro Direto já incorporam a atuação do Tesouro — e, mesmo assim, o movimento foi recorde. Depois, o órgão anunciou uma segunda recompra, de até 1 milhão de NTN-B, títulos atrelados à inflação, de cada um dos vencimentos de agosto de 2030, maio de 2035 e agosto de 2050, com propostas recebidas entre 15h30 e 16h. A suspensão das negociações veio às 16h25, logo após o encerramento desse prazo.

O rali do primeiro turno foi apagado. A alta desta segunda devolve toda a queda de juros que se seguiu ao primeiro turno. Para quem investe em renda fixa, o recado é claro: momento de cautela, leitura atenta do cenário e foco no longo prazo. As taxas altas podem parecer uma janela de oportunidade, mas exigem análise fria — e estômago para volatilidade.

Fonte: www.infomoney.com.br

Compartilhar