Muito se fala sobre o repertório de Abel Ferreira, mas há uma camada dessa discussão que quase ninguém explora: o que as substituições do treinador revelam sobre suas prioridades e limites. No futebol, é fácil apontar soluções alternativas depois do jogo — o difícil é enxergar a lógica por trás de cada decisão em tempo real. E nos jogos recentes do Palmeiras, o banco de reservas tem funcionado como uma extensão do raciocínio de Abel: responder às circunstâncias, reorganizar setores e administrar vantagens. Nem toda troca muda o rumo de uma partida, mas várias escancaram o critério do comandante.
O triunfo por 2 a 0 sobre o Athletico-PR, em Curitiba, é o retrato mais nítido disso. O Palmeiras abriu vantagem com Mauricio, aos cinco minutos, e Piquerez, aos nove, e tudo indicava um cenário de controle tranquilo. Só que a expulsão de Andreas Pereira, aos 42 minutos, virou o jogo de lógica: com um homem a menos durante todo o segundo tempo, Abel precisava blindar a vantagem sem desconectar o time do ataque. A leitura do treinador deixou de ser teoria e virou urgência.
A resposta veio no intervalo: Marlon Freitas entrou no lugar de Mauricio. O Verdão sacrificou uma peça ofensiva para fortalecer o meio-campo — mudança coerente com a nova configuração da partida. Na sequência, Jhon Arias substituiu Flaco López, Emiliano Martínez e Arthur entraram aos 71 minutos, e Luiz Benedetti foi acionado perto do fim. Nada disso foi aleatório: a prioridade era sustentar a estrutura com dez jogadores, renovar o fôlego disponível e atravessar a pressão adversária sem entregar o que já havia sido construído.
Os números dimensionam o desafio. O Athletico terminou com cerca de 64% de posse de bola e seis chutes no alvo, enquanto o Palmeiras teve 36% de posse e acertou três finalizações na direção do gol. Mesmo sob pressão, o placar não mudou. A intervenção de Abel foi compatível com o problema apresentado, mas não explica sozinha o resultado: Carlos Miguel fez defesas importantes e o time paranaense não converteu volume em gols. O mérito do treinador está na reorganização para competir em inferioridade numérica; o mérito coletivo, em executar essa resposta.
Cenários diferentes, medidas distintas
O Derby contra o Corinthians, vencido por 4 a 1, mostra outra face do trabalho. O Alviverde construiu vantagem expressiva antes das principais substituições, e Abel passou a renovar setores sem precisar desmontar uma equipe em dificuldade. Emiliano Martínez, Mauricio e Ramón Sosa entraram por volta dos 69 minutos; Paulinho e Bruno Fuchs foram acionados depois. Aqui, as trocas tiveram função diferente daquelas vistas contra o Athletico: bastava administrar uma partida em que o Verdaço já havia imposto sua superioridade.
Essa distinção é essencial para avaliar o treinador sem cair na armadilha do placar. Quando o resultado está encaminhado, distribuir minutos, preservar jogadores e manter as funções coletivas também é trabalho de técnico. Contra o Corinthians, o principal mérito de Abel foi o plano que levou o Palmeiras à vantagem; as mudanças posteriores devem ser avaliadas pela contribuição à gestão da partida, não como origem de uma goleada já desenhada.
Contra o Bahia, na vitória por 1 a 0, o desafio foi outro. Flaco López marcou aos seis minutos, e o Palestra terminou com menos posse de bola, mas registrou mais finalizações do que o adversário. Aos 69 minutos, Arias substituiu Flaco, enquanto Sosa entrou no lugar de…
Fonte: br.bolavip.com



