Site do Palmeiras hackeado: a provocação que revela a obsessão dos rivais

Site do Palmeiras hackeado: a provocação que revela a obsessão dos rivais

O site oficial do Palmeiras foi invadido nesta segunda-feira (26), e os hackers escolheram a provocação mais previsível possível: “Palmeiras não tem mundial”. Pense bem: estamos na era da inteligência artificial, dos algoritmos sofisticados, e alguém decide invadir uma página oficial para repetir uma piada de 75 anos. Criatividade em crise, meu amigo. O sujeito até conseguiu atenção, mas para repetir um bordão talvez bastasse abrir uma conta no Twitter.

Confesso que a escolha do alvo e do argumento me diverte. O Palestra está na final da Libertadores, segue vivo nas principais competições e acaba de bater o Bragantino por 2 a 0. Mesmo assim, tem gente que prefere varrer o presente para ressuscitar um debate antigo. É como se o Verdão precisasse disputar uma decisão em campo e, paralelamente, enfrentar uma audiência com o passado. Tem rival que acompanha tanto o Palmeiras que já não diferencia provocação de fixação.

Se o invasor for flamenguista, até entendo o desabafo. O Flamengo acabou de cair diante do Estudiantes na semifinal da Libertadores, e a frustração de uma eliminação dessas precisa encontrar uma válvula de escape. Como Verdaço e Mengo disputam diretamente os principais objetivos da temporada, tentar atrapalhar o rival funciona como uma terapia de arquibancada. Se não dá para comemorar a própria classificação, resta tentar estragar a festa alheia. É humano. Meio desesperado, mas humano. Só que essa terapia não altera o resultado da Libertadores. Cada um lida com a tristeza como pode: uns buscam explicações, outros buscam o endereço do site palmeirense.

Agora, quando o assunto são os rivais paulistas, a conversa fica ainda mais curiosa. O futebol de São Paulo anda oferecendo material de sobra para cada torcida cuidar da própria casa. O Corinthians atravessa uma crise esportiva, financeira e institucional que não cabe em uma única coletiva. O São Paulo patina há anos, sem avanços, com uma turbulência de bastidores que desvia o foco até das pautas futebolísticas. O Santos passou boa parte da temporada tentando encontrar estabilidade. Não preciso transformar esta coluna em um relatório sobre os vizinhos. Basta dizer: quando a casa precisa de reparos, convém conferir o telhado antes de rir da pintura alheia.

É aí que a provocação perde a graça. A SEP pode ser criticada, perder jogos, errar contratações e decepcionar sua torcida. Isso é futebol. Mas, enquanto o Verdão continua disputando títulos e chegando às decisões, alguns rivais parecem mais empenhados em fiscalizar sua história do que em construir capítulos melhores para a própria temporada. É uma forma curiosa de rivalidade: o Maior Campeão do Brasil avança em campo, e a resposta vem de uma gaveta empoeirada.

Sobre 1951, aliás, convém não confundir uma discussão histórica legítima com a versão preguiçosa de quem só quer repetir um bordão. A Copa Rio existiu, reuniu oito equipes de diferentes países e terminou com o Palmeiras superando a Juventus na decisão. O clube reivindica a conquista como o primeiro Mundial Interclubes da história, com registros da época que celebraram o time como campeão do mundo. Existe, evidentemente, uma discussão sobre o enquadramento e o reconhecimento da competição pela FIFA. Mas tratar o torneio como se tivesse sido inventado por torcedores numa noite de confraternização é outra coisa. A história pode ser debatida; não precisa ser caricaturada. O mais engraçado é que a frase parece ter conquistado uma longevidade que muitos títulos invejariam.

Fonte: br.bolavip.com

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