O São Paulo deu um passo decisivo para resolver parte de suas pendências financeiras. Nesta quarta-feira, o Conselho Deliberativo do clube aprovou o contrato com a Ticketmaster por 184 votos a favor e 44 contra, encerrando uma das votações mais aguardadas dos últimos tempos. Agora, a diretoria pode assinar o acordo de cinco anos, que coloca a empresa no comando da gestão de ingressos do Morumbis e também lhe dá participação na operação do programa de sócio-torcedor.
Com a aprovação, o caminho está aberto para a entrada de R$ 140 milhões nos cofres são-paulinos. Desse montante, R$ 30 milhões se referem à exploração do camarote 29A pelo período de cinco anos. Os outros R$ 110 milhões são uma antecipação que o clube devolverá à Ticketmaster ao longo de cinco anos, com juros baseados no CDI mais 1,99%.
O próximo capítulo é a formalização do contrato. Assim que a assinatura acontecer, o São Paulo terá direito aos valores, seguindo os prazos do acordo. Os R$ 30 milhões do camarote devem ser pagos logo após a assinatura, enquanto a antecipação de R$ 110 milhões será liberada em até 45 dias, conforme a estrutura contratual já divulgada.
Esse dinheiro chega em um momento de aperto no caixa. O clube acumula quatro meses de direitos de imagem atrasados com o elenco, e há casos individuais que chegam a seis meses. A diretoria também não conseguiu cumprir integralmente o cronograma de uma renegociação anterior com os atletas. Segundo apuração do Bolavip Brasil, a nova data estipulada para regularizar as pendências era 6 de outubro. A expectativa é usar parte dos recursos para quitar direitos de imagem, eventuais valores de CLT e parcelas do acordo firmado com o elenco no início do ano. Mas isso só depende da assinatura e da liberação financeira.
A intenção vai além de tapar buracos. Internamente, a avaliação é de que essa entrada extraordinária permitirá reorganizar o fluxo de caixa e reduzir o risco de novos atrasos até o fim do ano, incluindo salários de jogadores e funcionários. É uma expectativa da diretoria, que agora precisa transformar a aprovação política em dinheiro disponível de verdade.
O que muda com a Ticketmaster
A Ticketmaster vai assumir a gestão dos ingressos do Morumbis e também atuará na operação do programa de sócio-torcedor, hoje administrado pela Feng. O acordo ainda prevê recursos para a reforma do Museu do São Paulo e estabelece taxas de administração sobre as operações de ingressos e do programa de associados.
Na prática, os R$ 110 milhões não são receita livre. O valor será devolvido à empresa ao longo de cinco anos, com pagamentos atrelados às receitas de jogos no Morumbis, limitados a R$ 1,8 milhão por mês, além das condições financeiras do contrato. Já os R$ 30 milhões estão vinculados ao direito de explorar o camarote 29A pelo mesmo período.
Outro ponto importante é a transição do sócio-torcedor. Para assumir essa operação, o São Paulo precisará encerrar o contrato com a Feng, que exige aviso prévio de 180 dias e multa calculada em 15% da receita bruta do programa nesse período. Pelos números do clube, esse valor seria de aproximadamente R$ 3,7 milhões hoje, mas a quantia final pode variar.
Ou seja, a aprovação desta quarta-feira não significa que os R$ 140 milhões já estejam na conta do São Paulo. É o primeiro passo de uma corrida que agora entra na fase decisiva: assinar, liberar e pagar.
Fonte: br.bolavip.com



