O Santos vive um momento delicado nos bastidores. Apesar de ter conseguido derrubar o transferban recente com um aporte financeiro da NR Sports, empresa ligada a Neymar, o Peixe continua acumulando dívidas com outros clubes e agora corre o risco de sofrer novas punições tanto na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) da CBF quanto na FIFA. A imagem de time que não paga suas contas está se espalhando, e isso pode custar caro no mercado da bola.
As cobranças chegam de todos os lados. O Santos deve R$ 18,6 milhões ao Cuiabá pela contratação do zagueiro Joaquim. O clube paulista já foi condenado na CNRD, e se a dívida não for quitada ou não houver um acordo com o time mato-grossense, um novo transferban pode ser aplicado — o que impediria o registro de novos jogadores. O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, foi direto ao ponto em entrevista ao Bolavip Brasil: não dá para romper relações com o Peixe, mas enquanto essas pendências existirem, fica impossível negociar atletas com o Alvinegro.
E a lista de credores não para por aí. O Cruzeiro também cobra o Santos por Zé Ivaldo, com uma dívida que chega a R$ 5 milhões, e o caso já foi parar na CNRD. Nos bastidores, o time mineiro garante que isso não interfere em uma possível negociação por Gabigol, mas a verdade é que, como avalio no quadro Direto da Redação, é muito difícil um clube aceitar negociar com o Santos sem garantias financeiras sólidas.
Um exemplo claro disso aconteceu em 2025. O Peixe tinha tudo acertado com o Internacional para comprar Thiago Maia. O Santos assumiria a dívida dos gaúchos com o Flamengo, mas o CRF exigiu garantias bancárias e o negócio desmoronou. A fama de caloteiro já atrapalha contratações, e os outros times vão pensar duas vezes antes de fechar qualquer coisa com a diretoria santista.
Mas o cenário pode piorar. O Globo Esporte apurou que Spartak de Moscou, da Rússia, e Léon, do México, acionaram o Santos na FIFA por dívidas relacionadas às contratações dos zagueiros Alexis Duarte e Adonis Frías, respectivamente.
Alexis Duarte, que se recupera de uma grave lesão no joelho, foi comprado em setembro de 2025 por 4 milhões de dólares (cerca de R$ 20 milhões). O Santos deixou parcelas em aberto, e o time russo entrou com ação na FIFA em junho. A entidade máxima do futebol já condenou o clube paulista a pagar o que está em atraso, acrescentando juros e custas processuais, segundo o GE.
Mas o caso mais escandaloso é o de Adonis Frías. A contratação do zagueiro argentino, avaliada em R$ 20 milhões, deveria ser quitada em três parcelas — e a segunda nunca foi paga. O León acionou a FIFA e cobrou juros de 15% ao ano. De acordo com o Globo Esporte, o Santos reconheceu a dívida e pediu redução dos juros para 12%, o que foi aceito. O absurdo? Adonis já nem está mais no clube: foi vendido recentemente ao Atlas.
O Alvinegro negociou o zagueiro por 3,75 milhões de dólares (R$ 19 milhões), valor que pode chegar a 4,5 milhões de dólares (R$ 23 milhões) se metas forem batidas. Mesmo assim, o Peixe não pagou o Léon. Ou seja, usou o jogador por quase um ano, negociou o atleta no mercado e segue devendo a compra feita em 2025.
Na minha visão, essa irresponsabilidade financeira coloca a credibilidade do clube em xeque. Assim como no Brasil, a fama de caloteiro deve se perpetuar no exterior. Isso não pode ser normalizado de jeito nenhum, pois prejudica o time da Baixada Santista em futuras negociações. Acredito que clubes como o Santos só vão aprender a lição quando as punições na FIFA ou na CNRD forem aplicadas de forma mais rápida e severa, chegando até à perda de pontos em campeonatos nacionais e internacionais.
Fonte: br.bolavip.com



