Santos de Marcelo Teixeira: vende joias da base e aposta em medalhões

Santos de Marcelo Teixeira: vende joias da base e aposta em medalhões

Marcelo Teixeira está no comando do Santos há três anos e ainda não bateu o martelo sobre uma possível reeleição em dezembro. Mas um traço dessa gestão já está bem claro: a pressa em negociar garotos da base, muitas vezes por valores abaixo do potencial, para bancar a chegada de medalhões. A iminente saída de JP Chermont para o exterior é só a ponta mais recente desse iceberg.

Chermont não foi o primeiro, nem será o último

Depois de subir para a Série A no fim de 2024, o Peixe vendeu o zagueiro Jair Cunha — hoje convocado para a Seleção Brasileira — ao Botafogo no início de 2025 por 12 milhões de euros (cerca de R$ 71 milhões na cotação da época), com potencial de chegar a 14 milhões. Na negociação, o clube carioca incluiu Tiquinho Soares e ainda ganhou um desconto. Jair se valorizou, foi vendido ao Nottingham Forest no meio do ano passado, enquanto o Santos ficou com uma zaga frágil. Tiquinho, por sua vez, decepcionou: apenas 7 gols em 40 partidas. No início de 2026, foi emprestado ao Mirassol e depois conseguiu rescisão indireta por salários atrasados, voltando ao Rio. Um negócio da China para o Botafogo, um pesadelo para a Vila.

A política de não valorizar a base seguiu firme: em agosto de 2025, Luca Meirelles foi vendido ao Shakhtar Donetsk por cerca de 12 milhões de euros (R$ 75 milhões à época). Enquanto isso, o clube aceitava salários milionários para nomes questionáveis como Thaciano e Lautaro Díaz — este último devolvido ao Cruzeiro e depois emprestado ao Racing.

Outro caso emblemático é o de Souza. O Menino da Vila demorou a engrenar por causa da concorrência com Escobar, mas no Brasileirão de 2025 fez 24 jogos, 14 como titular. Quando finalmente poderia se firmar como um dos grandes laterais do país, o Santos, em crise financeira, o vendeu ao Tottenham por quase R$ 100 milhões. Valor alto, sim, mas que poderia ser ainda maior se ele tivesse ficado mais tempo. Sem espaço na Inglaterra, Souza foi emprestado ao Porto na temporada 2026/2027. É o retrato de uma gestão que esquece a base para priorizar veteranos.

Mayke é o exemplo perfeito: chegou aos 33 anos com salário alto, não rendeu e ainda tirou espaço de JP Chermont no time principal. O garoto foi emprestado ao Coritiba em fevereiro deste ano e não deve voltar.

Marcelo Teixeira gosta de nomes midiáticos

Nesta quarta-feira (23), segundo o Globo Esporte, o Santos encaminhou a venda de Chermont ao Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, por cerca de R$ 18 milhões. O Coritiba fica com 10% pela taxa de vitrine. Em crise financeira, com direitos de imagem atrasados, o Peixe se viu obrigado a negociar uma joia que precisava ser lapidada. No Coxa, ele teve sequência e mostrou que merecia mais chances que Mayke — que já deixou o clube após buscar rescisão na Justiça do Trabalho por atrasos salariais.

Nesta janela, o Santos trouxe nomes de peso como Coutinho, Rodinei, Arthur Melo e Cebolinha. A conta não fecha: para amenizar o prejuízo, vende jovens da base. Gabriel Bontempo, convocado para a Seleção, pode ser o próximo. É um ciclo vicioso que desvaloriza o maior patrimônio do clube: os Meninos da Vila.

Fonte: br.bolavip.com

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