O empate com o Palmeiras não foi apenas mais um ponto na tabela. Para o Grêmio, representou algo maior: a volta da confiança dentro e fora de campo. Desde o retorno de Renato Portaluppi, o ambiente mudou, e essa transformação já começa a aparecer na rotina do elenco.
Na reestreia do treinador, a Arena estava lotada. O time mostrou postura competitiva e segurou um adversário difícil, que criou problemas durante a partida. Weverton foi decisivo, claro, mas a organização e a disposição do time também chamaram atenção. Foi um resultado que, naquele momento, valeu mais do que os números podem explicar.
A confiança não voltou porque os problemas sumiram. Voltou porque o torcedor viu novamente um time capaz de competir. E essa talvez seja a primeira grande mudança trazida por Renato: devolver ao Grêmio a sensação de que existe um caminho possível para sair da situação delicada.
A confiança começa no trabalho
Renato teve pouco tempo para preparar a equipe antes do Palmeiras. Mesmo assim, a semana seguinte mostrou uma mudança importante. O Grêmio voltou aos treinos durante a Data Fifa com atenção especial à parte física. Em uma das atividades, trabalhou em dois turnos, com treino técnico em campo reduzido à tarde.
Pode parecer só programação, mas não é. Em momentos de pressão, a intensidade do trabalho transmite uma mensagem ao elenco. Existe cobrança, responsabilidade e a necessidade de recuperar terreno. Renato sabe disso. Em suas passagens pelo clube, sempre teve uma característica clara: aproximar o treinador dos jogadores e fazer do ambiente de trabalho parte importante da recuperação.
Outro ponto chama atenção. Renato ampliou a observação das categorias de base e chamou 12 jovens para treinar com o profissional. A medida não significa promoção imediata, mas representa uma avaliação mais próxima de jogadores que podem se tornar alternativas no futuro.
Isso também diz muito sobre o momento do Grêmio. Um clube que precisa reconstruir a confiança deve olhar para todos os caminhos. Renato está de olho nos experientes, em quem já está no elenco e nos meninos que pedem passagem. É a fotografia de um treinador que quer conhecer todas as peças disponíveis.
O efeito Renato vai além da escalação
Existe ainda um componente que não aparece em estatística alguma: o peso do nome Renato Portaluppi. O Grêmio oficializou seu retorno em setembro, para a quinta passagem pelo clube. Ele é o treinador que mais vezes comandou o Tricolor, com 543 partidas, além de ter conquistado dez títulos em suas quatro passagens anteriores.
Por isso, quando Renato entra no CT Luiz Carvalho, conversa com os jogadores e comanda os treinamentos, uma história inteira entra junto naquele ambiente. O torcedor conhece Renato, os jogadores sabem o tamanho dele e o clube conhece sua capacidade de mobilizar o Grêmio.
Isso não significa que o treinador tenha uma solução mágica. Seria irresponsável tratar assim. O Grêmio ainda precisa melhorar, pontuar fora de casa, corrigir problemas defensivos, recuperar jogadores e encontrar uma sequência de resultados. Mas o futebol também é feito de ambiente, confiança e convicção. E essas três coisas parecem estar começando a reaparecer.
Há outro detalhe importante nessa reconstrução. Além dos 12 jovens chamados recentemente, Renato segue de olho em todas as possibilidades para tirar o time da situação delicada e devolver ao torcedor a esperança de dias melhores.
Fonte: br.bolavip.com



