O Grêmio segue enfrentando uma fase complicada no Campeonato Brasileiro. No Gre-Nal 455, disputado na Arena, o Tricolor empatou por 1 a 1 com o rival, resultado que manteve a equipe em situação delicada na tabela e ampliou para seis jogos a sequência sem vitórias na competição. Após sair atrás no placar, o Imortal buscou o empate no segundo tempo com gol do zagueiro Wallace, mas o ponto conquistado em casa não foi suficiente para deixar a zona de rebaixamento. O desfecho provocou um desabafo contundente do técnico Renato Portaluppi na entrevista coletiva pós-jogo.
Sem esconder a insatisfação, Renato mirou diretamente o planejamento de contratações feito antes de sua chegada. Ele criticou os critérios usados na montagem do elenco, apontando o excesso de estrangeiros trazidos sem a devida análise de perfil e adaptação ao futebol brasileiro. Para o treinador, a responsabilidade pelos resultados ruins não pode recair apenas sobre quem está à beira do campo.
“Você vai contratar um jogador, independente da posição, você tem que pegar a ficha desse jogador. Não pode simplesmente trazer aquele estrangeiro e botar ele aqui no grupo. Aí tem que chegar um treinador aqui com a varinha mágica. Não é assim que se trabalha. Aí trazem e não era o jogador certo. Bom, então tem que cobrar de quem trouxe. Não tem o que inventar. Estoura em quem está na beira do campo. É bem simples o futebol, porque eu costumo falar, a conta chega, ela pode demorar um pouco, mas chega. A conta vai chegar se fizer a coisa errada”, desabafou Renato.
O comandante gremista também ressaltou as barreiras de comunicação e convivência diária causadas pela presença de atletas de diversas nacionalidades sem uma ambientação prévia adequada. Ele citou exemplos do elenco atual para ilustrar o obstáculo operacional.
“É que você não frequenta o vestiário, você chega aqui, você tem dois, três, um cara falando uma língua, chega no outro canto, três, quatro, falando uma língua, chega no outro canto, quatro, cinco, falando uma língua. Até os caras se entenderem, meu amigo… É que eu acho um erro. Não é porque a CBF liberou X estrangeiros, tem que trazer estrangeiro de tudo que é lado, de qualquer jeito. Traz o estrangeiro, o cara já está adaptado ao futebol brasileiro, é simples trabalhar no futebol. Aí você traz o estrangeiro, ele não é nem culpado, ele chega aqui até se adaptar ao futebol brasileiro, até ele conhecer os companheiros dele, se passaram cinco, seis meses. E aí? Nós temos o Amuzu, por exemplo, aqui. Para você fazer ele entender as coisas… Ele está aqui há quanto tempo? Um ano e meio, um ano. Ele não fala o português, e aí? Tem que estar sempre o intérprete do lado dele. Você acha que é fácil? Chega num país que você não fala a língua para ver se vai se adaptar assim”, criticou.
Apesar dos problemas estruturais, Renato discordou das avaliações de que o time não evoluiu sob seu comando. Ele ponderou que falta tranquilidade e confiança ao grupo nas finalizações decisivas, mas reafirmou sua confiança na permanência do Grêmio no Brasileirão. O técnico projeta uma luta contra o rebaixamento até a última rodada, admitindo que será um ano de sofrimento, mas mantendo a esperança de dias melhores.
Fonte: br.bolavip.com



