A conta do rebaixamento tem número e ele assusta. Segundo apuração do Bolavip junto à direção colorada, caso o Internacional caia para a Série B, o déficit no orçamento do clube bateria a marca de pelo menos R$ 150 milhões. O dado surge a dois dias do primeiro turno da eleição presidencial e com o time ainda metido na briga contra a degola — cenário que, pela UFMG, carrega 39% de risco.
A diferença de receitas dá a dimensão do tamanho do buraco. Em reportagem de 14 de setembro, o Bolavip mostrou que a cota de TV da Série A fica entre R$ 200 milhões e R$ 210 milhões, enquanto a da Série B gira em torno de R$ 15 milhões. Ou seja, só aí a temporada na segunda divisão já começa com perda gigantesca.
Sobre a doação de R$ 20 milhões ao clube, o Bolavip recordou que o empresário Delcir Sonda declarou ao ge que o rebaixamento custaria ao Inter mais de R$ 100 milhões em receitas. O número apurado agora é outro: trata-se do déficit no orçamento, e não apenas da perda de arrecadação.
Por que a queda pesa tanto nas contas? Porque o cenário chegaria a um clube já pressionado. O Inter encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 160 milhões, 46% acima dos R$ 109,3 milhões orçados, conforme documento apresentado ao Conselho Deliberativo em reunião na segunda-feira (28) à noite, no Beira-Rio, como o Bolavip mostrou em 29 de setembro.
Entre as causas, o clube está sem patrocínio máster desde o fim de 2025, e o contrato com a casa de apostas foi rescindido em janeiro por falta de pagamento, o que custou ao menos R$ 50 milhões. As vendas de jogadores somam menos de R$ 68 milhões, contra R$ 204 milhões previstos no orçamento.
As dívidas também apertam. Os débitos por compras de jogadores desde 2021 chegam a R$ 117 milhões, sendo R$ 56 milhões vencidos e R$ 61 milhões a vencer, e outros R$ 202 milhões em obrigações vencem nos próximos dois anos. Na sabatina do Grupo RBS, o candidato Leonardo Aquino afirmou que a dívida total é de cerca de R$ 1 bilhão.
Dentro de campo, o Inter tem 38 pontos, ocupa a 16ª posição após o 1 a 0 sobre o Coritiba e, segundo a UFMG, viu o risco de rebaixamento cair para 39%. Nas rodadas 1 a 28, o time somava 1,00 ponto por jogo, e desde a chegada de Eduardo Baptista a média subiu para 1,67, segundo levantamento da 4ComM com dados da Opta.
O próximo compromisso é contra o Vasco, em 19 de novembro, às 19h30, em São Januário. O Bolavip já avaliava em 28 de outubro que Baptista recuperou a confiança do Inter e deu força à reação contra o Z-4, com três vitórias em três jogos em casa, no Beira-Rio, segundo o mesmo levantamento.
E a eleição? O primeiro turno será em 9 de novembro, com voto dos conselheiros, e a disputa envolve José Amarante, Roberto Melo e Leonardo Aquino. Se necessário, o segundo turno será em 12 de dezembro, com os associados, e quem vencer comanda o clube de 2027 a 2029. Também serão escolhidos 150 novos conselheiros, e a biometria facial será obrigatória para os associados votarem.
Na sabatina, Aquino disse não ser contra uma SAF, desde que com cláusulas de desempenho esportivo e aporte mínimo no futebol, e alertou que, sem aporte garantido, o clube corre risco de falência. Ele também afirmou que a dívida de curto prazo causa atrasos de salários e de direitos de imagem.
Vale separar as contas: o valor da projeção de queda não se confunde com outro número já mostrado pelo Bolavip. Em setembro, o clube precisava de cerca de R$ 70 milhões para fechar 2026 com salários e premiações pagos, e de R$ 150 milhões se somadas as dívidas com fornecedores. São contas diferentes, mas que escancaram a pressão financeira sobre o próximo presidente.
Fonte: br.bolavip.com


