RD Congo enfrenta ebola e vistos negados: estreia na Copa será ‘fora de casa’

RD Congo enfrenta ebola e vistos negados: estreia na Copa será ‘fora de casa’

A República Democrática do Congo vive uma situação delicada às vésperas de sua estreia na Copa do Mundo, após 52 anos de ausência. O país já ultrapassou a marca de 800 casos confirmados de ebola, com quase 200 mortes registradas. A epidemia, que começou em 15 de maio, é a 17ª enfrentada pela nação e levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar alerta sanitário internacional. Como consequência, os Estados Unidos passaram a dificultar a entrada de viajantes vindos da RD Congo, Uganda e Sudão do Sul, mesmo sem proibição oficial. Voos desses países são redirecionados para quatro aeroportos específicos, e o CDC notifica as autoridades locais para monitoramento rigoroso.

A seleção congolesa sentiu o impacto direto dessas restrições. O técnico Sébastien Desabre expressou frustração ao saber que muitos torcedores, que acompanham o time desde o início, não puderam viajar para apoiar a equipe em Houston, no Texas. “Ficamos muito decepcionados, para ser honesto. Ficamos tristes em saber que não puderam vir ao país para assistir às partidas”, declarou em entrevista coletiva. O jogo contra Portugal, nesta quarta-feira, será praticamente um “fora de casa”, com arquibancadas ocupadas majoritariamente por imigrantes da comunidade congolesa na América do Norte. Estima-se que 25 mil pessoas dessa comunidade vivam entre Houston e Dallas.

Apesar das adversidades, Desabre elogiou a recepção local: “Fomos muito bem recebidos pelo povo na nossa concentração. Nos deram a melhor condição possível”. A delegação passou por um isolamento de 21 dias, por exigência americana, e realizou a preparação na Bélgica antes de chegar aos EUA. O zagueiro Samuel Moutoussamy, que atua na Grécia, minimizou o impacto: “A preparação foi muito boa. Não nos afetou em nada. Tudo estava perfeito”.

A epidemia, porém, está longe do fim. A Cruz Vermelha alerta que o pico ainda não foi alcançado e que o surto pode durar mais um ano. A dificuldade no diagnóstico gera subnotificação e facilita o contágio, segundo o chefe de operações Bruno Michon. Em campo, a força da RD Congo está na defesa, com destaques como Aaron Wan-Bissaka (West Ham), Arthur Masuaku (Lens) e Chancel Mbemba (Lille). “Voltar 52 anos depois é um verdadeiro orgulho e prazer. Nos preparamos bem. Agora queremos ir bem no Mundial”, finalizou Desabre, que comanda a seleção desde 2022.

Fonte: www.infomoney.com.br

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