R$ 600 mil para Rui Costa: os pagamentos que o São Paulo não esconde

R$ 600 mil para Rui Costa: os pagamentos que o São Paulo não esconde

Imagine a cena: o São Paulo acaba de encerrar um jejum de nove anos sem títulos estaduais. A euforia toma conta do Morumbi. Mas, nos bastidores, um detalhe chama atenção. Documentos revelam que Rui Costa, então diretor de futebol do clube, recebeu R$ 600 mil em 2021. Dois adiantamentos. Um de R$ 400 mil, outro de R$ 200 mil. Ambos autorizados por Carlos Belmonte, o homem forte do departamento de futebol na época.

Os papéis, obtidos e divulgados inicialmente pela São Paulo Digital, mostram que as solicitações foram formalizadas nos dias 21 e 24 de maio daquele ano. O pagamento saiu em 26 de maio. Tudo registrado como “adiantamento de direitos de imagem referente ao Campeonato Paulista de 2021”. Mas o que isso significa, de fato?

Aqui, caro leitor, é onde a história pede um olhar mais atento. A apuração do Bolavip Brasil, com base em informações do clube e dos envolvidos, esclarece: não se trata de um pagamento sem lastro. Os valores estavam previstos em contrato. Eram bônus pela conquista do Paulistão. O São Paulo, como muitos clubes, usa contratos de imagem com pessoas jurídicas para registrar premiações variáveis — separadas do salário registrado em carteira. Nos documentos, o termo técnico é “valorização da imagem”.

Pense nisso: quando um dirigente ou atleta entrega um resultado esportivo, o clube pode prever uma bonificação. No caso de Rui Costa, os R$ 600 mil correspondem exatamente a essa premiação contratual. As duas solicitações — uma de R$ 400 mil em 21 de maio, outra de R$ 200 mil em 24 de maio — foram autorizadas por Belmonte e pagas dois dias depois. A documentação mostra valores, beneficiário, datas e a autorização administrativa. A apuração posterior revela a finalidade: bônus pelo título estadual.

Contexto adicional: naquele período, o departamento de futebol tricolor mantinha um saldo de aproximadamente R$ 12 milhões. Os pagamentos a Rui Costa saíram desse montante. Isso ajuda a entender a origem dos recursos, mas não muda a natureza contratual dos valores. Rui Costa era o diretor de futebol; Belmonte, o responsável pelo departamento e autorizador das solicitações. Ambos aparecem nos registros: um como beneficiário, outro como aprovador.

O ponto central é separar o registro contábil da interpretação sobre sua finalidade. A expressão “adiantamento de direito de imagem” pode gerar ruído, mas a apuração indica que os valores estavam associados a bônus previstos no contrato de Rui Costa pela conquista do Paulistão. A nomenclatura segue o modelo contratual adotado pelo São Paulo para registrar esse tipo de pagamento. Em outras palavras: não há ilegalidade aparente, mas sim uma prática contábil que exige transparência.

E você, torcedor, o que pensa sobre isso? A conquista de um título merece premiação? Como deveria ser a divulgação desses valores? O futebol vive de paixão, mas também de contas claras. Fica a reflexão.

Fonte: br.bolavip.com

Compartilhar