Quando um atleta do calibre de Paulinho sofre uma nova lesão no exato momento em que se prepara para voltar, a torcida se enche de perguntas e preocupações. Será que a recuperação estava errada? Será que a fratura antiga ainda cobra seu preço? Para responder essas questões com propriedade, ninguém melhor que Dr. Rubens Sampaio Neto, um nome que escreveu parte da história recente do departamento médico do Palmeiras. Com anos de experiência e participação ativa na evolução dos processos de recuperação do clube, ele traz uma visão clara e técnica sobre o caso, em entrevista exclusiva ao Bolavip Brasil.
Primeiro, vamos entender o que realmente aconteceu. Paulinho tinha uma lesão muscular no adutor longo, sofrida no início de agosto, e estava em plena reabilitação quando surgiu um novo problema: uma lesão no tendão do mesmo músculo. Para o Dr. Rubens, isso não é coincidência, mas também não é um erro de tratamento. Ele explica que a incidência de re-lesão é um risco estatístico que acompanha até os protocolos mais conservadores. Ou seja, faz parte do jogo, ainda que seja frustrante.
Outro ponto que o médico derruba é a relação entre a fratura por estresse na tíbia, que Paulinho teve anteriormente, e a lesão atual no adutor. Segundo ele, não existe nenhuma conexão biomecânica entre as duas. A fratura não deixou sequelas que descompensem o corpo de forma a causar esse novo problema. Então, esqueça a teoria da compensação ou qualquer história de que a perna operada ainda está atrapalhando.
O que realmente tem impacto é o tempo parado. Ficar meses sem treinar em alta intensidade, necessário para a consolidação da fratura, cobra um preço físico e técnico. E é aqui que entra o conceito-chave da análise: a sintonia neuromuscular. Depois de tanto tempo longe do ritmo de jogo, o corpo de Paulinho precisa reaprender a conectar força, velocidade e coordenação. Não é algo que se resolve da noite para o dia, mesmo com a melhor estrutura do mundo.
O Dr. Rubens também destaca que a vascularização do tendão é pior que a do músculo, o que torna a recuperação mais lenta e delicada. Por isso, a reabilitação plena exige tempo e paciência, sem atalhos. A boa notícia é que, com acompanhamento adequado e respeito aos limites do corpo, Paulinho pode voltar ainda mais forte. Mas, por enquanto, o foco deve ser total na reconstrução dessa sintonia, peça fundamental para evitar novas recaídas.
Fonte: br.bolavip.com



