Palmeiras vence Fluminense, mas erro de Carlos Miguel vira dor de cabeça

Palmeiras vence Fluminense, mas erro de Carlos Miguel vira dor de cabeça

O Palmeiras saiu do Maracanã com uma vitória de 2 a 1 sobre o Fluminense, deu um passo importante rumo à final da Libertadores e tinha todos os motivos para celebrar. Só que certas vitórias vêm com um asterisco invisível no placar — e o Verdão carrega essa pulga atrás da orelha para a semana inteira. Aos 47 minutos do segundo tempo, Wesley Natã aproveitou uma falha de Carlos Miguel e diminuiu a vantagem alviverde, transformando o que seria uma noite tranquila em um debate que promete render.

Não se trata apenas de levar um gol nos acréscimos. Isso acontece com qualquer time, até com aqueles que têm goleiros de renome internacional. O que incomoda é a forma como o gol saiu. No cruzamento de Guga, Carlos Miguel ficou em cima do muro: nem saiu para interceptar a bola, nem ficou firme na posição para defender. Hesitou, e a hesitação abriu espaço para Wesley cabecear. No futebol, como na vida, indecisão custa caro. No Maracanã, custou ao Palmeiras a chance de terminar o jogo com dois gols de vantagem.

É preciso justiça, porém. Carlos Miguel não passou os 90 minutos espalhando insegurança. Teve defesas importantes, ajudou a segurar o resultado e participou de uma resistência defensiva que exigiu concentração diante da pressão tricolor. Justamente por isso, a falha merece análise fria, não linchamento. Uma boa intervenção anterior não apaga um erro posterior, e vice-versa. Só que a vida de goleiro tem uma crueldade própria: você pode trabalhar certo o jogo inteiro e precisar de um único segundo para ver sua avaliação pública desabar.

A discussão ganha ainda mais peso porque Carlos Miguel já vinha de momentos de questionamento nesta Libertadores. Contra a LDU, nas quartas de final, o Palmeiras viu a vantagem da ida sumir em Quito, levou dois gols nos acréscimos e só avançou nos pênaltis — e foi justamente Carlos Miguel o herói ao defender duas cobranças. O paradoxo é curioso: o mesmo goleiro que salvou a campanha em uma noite dramática agora volta ao centro das atenções por uma bola que não interceptou. A memória do torcedor não funciona como balanço contábil, em que créditos e débitos se anulam automaticamente. Cada jogo tem sua própria sentença.

E o Palmeiras não pode usar a falha do goleiro como cortina de fumaça para os problemas que enfrentou. O Fluminense teve mais posse de bola, controlou boa parte das ações e empurrou o time paulista para trás em vários momentos. O Verdão apostou em três zagueiros, alas e uma estrutura de meio-campo para proteger a área e acelerar nos contra-ataques. A estratégia funcionou no quesito mais importante — o placar —, mas o time teve dificuldades para controlar o setor central, encontrar saídas sob pressão e evitar que o adversário retomasse os ataques.

O grande argumento palmeirense foi a eficiência ofensiva. Flaco López abriu o placar aos 44 minutos do primeiro tempo, após jogada construída pelo lado esquerdo com Andreas Pereira e Piquerez. Marlon Freitas, que teve a escalação criticada no primeiro tempo, ampliou aos 38 da etapa final, coroando uma chegada ofensiva que premiou a capacidade alviverde de aproveitar as oportunidades. O resultado é favorável, mas as dúvidas que ficam vão muito além do nome de Carlos Miguel.

Fonte: br.bolavip.com

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