O Palmeiras não precisou nem de dez minutos para abrir 2 a 0 no Athletico-PR, na Arena da Baixada. Mas o que chama atenção não é só a velocidade do placar — é a variedade de recursos que o time mostrou para chegar lá. Maurício apareceu no fim de uma jogada bem construída, e Piquerez ampliou com uma cobrança de falta precisa. Dois gols, dois caminhos diferentes, um recado claro: o Verdão encontrou mais de uma forma de machucar o adversário.
O primeiro gol vale uma análise mais cuidadosa. Nada de individualismo ou bola jogada na área sem critério. O Palestra trocou passes, movimentou o adversário e só então achou o espaço para Maurício finalizar. Esse tipo de lance escancara a importância da movimentação coletiva, da aproximação entre os setores e da inteligência para explorar brechas em uma defesa que ainda tentava se achar em campo.
Quatro minutos depois, Piquerez mostrou que o time também sabe ser letal sem precisar de uma longa sequência de passes. A cobrança de falta virou oportunidade concreta e obrigou o Athletico a repensar toda a postura. Se o primeiro gol nasceu da construção com a bola rolando, o segundo provou que o Verdão pode castigar de bola parada também — e isso amplia demais o leque de preocupações para qualquer adversário.
A escalação ajuda a entender essas alternativas. Carlos Miguel no gol, com Murilo, Bruno Fuchs e Alexander Barboza na proteção. Khellven e Piquerez pelos corredores, Lucas Evangelista, Andreas Pereira e Maurício no meio, Ramón Sosa e Flaco López na frente. Um 3-5-2 que dá amplitude pelos lados e duas referências para atacar a última linha.
Só que a vantagem veio acompanhada de um alerta no fim. Andreas Pereira, peça-chave na saída de bola e na ligação entre meio e ataque, levou o segundo amarelo em uma jogada infantil — tentou tirar uma segunda bola do campo e acabou expulso. O Palestra volta para o segundo tempo com um a menos e o desafio de segurar a força mesmo assim.
O contexto da escalação também merece atenção. Gustavo Gómez e Giay estavam suspensos, Vitor Roque era desfalque por lesão, e Jhon Arias e Marlon Freitas começaram no banco. Com o confronto decisivo contra o Fluminense pela Libertadores no horizonte, Abel Ferreira montou uma formação modificada sem abrir mão de uma estrutura competitiva. O início em Curitiba foi uma resposta e tanto para quem duvidava do tamanho das mudanças.
Com dois gols de vantagem tão cedo, o comportamento tático pediu outra leitura. O Palmeiras já não precisava atacar com a urgência de quem busca abrir o placar. Passou a alternar a construção, explorar os espaços deixados pelo avanço adversário e escolher melhor os momentos de acelerar.
O sistema com três zagueiros ganha peso nesse cenário. Khellven e Piquerez podem avançar pelos corredores, mas precisam calcular o momento de subir para não deixar espaços às costas. Se o Athletico aumenta a presença ofensiva para diminuir a diferença, a recomposição dos alas e a proteção do trio defensivo se tornam fundamentais.
A qualidade da atuação depende, portanto, não apenas dos gols marcados, mas da capacidade de sustentar a vantagem. Maurício oferece uma alternativa de aproximação ao ataque, e a combinação dos dois permite discutir como a SEP pode construir jogadas sem depender exclusivamente de lançamentos para Flaco López e Sosa.
Os números da temporada ajudam a dimensionar o peso do resultado — mas o recado tático já está dado: o Palmeiras tem soluções, mas precisa de maturidade para não complicar o que construiu.
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