Palmeiras: o problema que surge antes da bola chegar a Flaco López

Palmeiras: o problema que surge antes da bola chegar a Flaco López

Existe uma mania injusta no futebol: quando o atacante não balança a rede, a culpa cai toda sobre ele. O centroavante perde uma chance e pronto — a análise começa e termina no seu pé. Fica alguns jogos sem marcar e já surge alguém questionando se merece ser titular, como se a bola aparecesse na área por mágica. No Palmeiras, acho que esse raciocínio precisa ser invertido. Antes de cobrar o que Flaco López ou Vitor Roque fazem com a bola, vale examinar o que o time faz para entregá-la a eles.

Não estou aqui para passar a mão na cabeça dos atacantes. Centroavante que perde um gol claro tem que responder por isso. Mas existe uma diferença enorme entre errar uma finalização e passar o jogo inteiro tentando achar uma situação para finalizar. É nessa distinção que o debate sobre o ataque palmeirense fica realmente relevante.

O time pode somar posse de bola, cruzamentos e finalizações sem necessariamente dar ao seu homem mais adiantado as condições ideais de trabalho. Volume ofensivo e abastecimento de qualidade não são a mesma coisa. O jogo contra o Bahia, em 8 de outubro, ilustra bem isso. Flaco López marcou o gol da vitória por 1 a 0 numa jogada de bola parada: Andreas Pereira cobrou o escanteio, Alexander Barboza desviou e o argentino apareceu para completar de cabeça. Um lance que valorizou a ocupação da área e a capacidade de antecipação do centroavante.

No Maracanã, diante do Fluminense, a resposta veio de outro jeito. Na vitória por 2 a 1 pela semifinal da Libertadores, Flaco recebeu o passe de Piquerez e concluiu um contra-ataque aos 44 minutos do primeiro tempo. O Palestra tinha menos posse, mas achou espaço para atacar em velocidade. A jogada mostra a importância de reconhecer o espaço, acelerar no momento certo e executar o passe com precisão. Naquela noite, o caminho até Flaco foi tão importante quanto a finalização que encerrou o lance.

O que observar na construção ofensiva do Palestra

Por isso considero insuficiente avaliar o ataque palmeirense apenas pela quantidade de gols dos homens de frente. Precisamos olhar de onde vêm as bolas, quantas chegam à área em condições de conclusão e quais jogadores participam da construção. O que importa é a qualidade da oportunidade criada, não só a quantidade de vezes que a bola chega à área. Os alas também entram nessa conta. No sistema de três zagueiros usado por Abel Ferreira, Giay e Piquerez precisam oferecer amplitude, mas sua contribuição não termina quando alcançam o corredor lateral.

É preciso avaliar se chegam à linha de fundo em condições de cruzar, se encontram companheiros entrando na área e se conseguem participar das combinações por dentro. O gol de Flaco contra o Fluminense, por exemplo, nasceu de uma transição em que Piquerez encontrou o atacante em movimento. Já contra o Bragantino, em 24 de outubro, Giay marcou após assistência de Flaco, que havia entrado no segundo tempo. A relação entre os dois lances é reveladora: o abastecimento não precisa seguir sempre a mesma direção, e o centroavante pode ser tanto o destino quanto o ponto de apoio da jogada.

A vitória por 2 a 0 sobre o Bragantino oferece outro dado relevante. O Palmeiras registrou 24 finalizações e 43 toques na área adversária, segundo o FotMob. O número serve como ponto de partida para a investigação, não como sentença. O comportamento ofensivo varia conforme os espaços disponíveis, a postura do adversário e as condições em que a equipe consegue chegar à área.

O peso de Flaco e do Tigrinho no debate do Palmeiras

Também não colocaria Flaco López e Vitor Roque em lados opostos desse debate. Os dois oferecem soluções diferentes, e essa diferença

Fonte: br.bolavip.com

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