Palmeiras: o desafio de brilhar sem depender só dos craques

Palmeiras: o desafio de brilhar sem depender só dos craques

No futebol, ter grandes nomes no elenco é um trunfo e tanto. Mas o Palmeiras, que hoje ostenta um time recheado de talentos, enfrenta um desafio mais sutil: provar que o coletivo não fica refém das estrelas. É claro que os protagonistas fazem a diferença, mas o verdadeiro salto de qualidade está em manter a identidade do time mesmo quando um deles não está em seu melhor dia. E é exatamente essa a pergunta que a fase decisiva da temporada coloca para Abel Ferreira: até onde o sistema aguenta quando uma peça-chave oscila?

Os números escancaram essa discussão. Flaco López, por exemplo, já soma 21 gols na temporada e se consolidou como o artilheiro do elenco. Andreas Pereira, com 12 assistências, lidera nesse quesito, enquanto Jhon Arias contribui com oito gols e seis passes para gol. Mas o que esses dados revelam vai além da estatística: eles mostram como cada um influencia o jogo de maneiras diferentes, moldando o comportamento do time como um todo.

Flaco é o caso mais emblemático dessa dependência funcional. Não é só pelos gols que ele se torna essencial — é pela presença que oferece, seja dando referência lá na frente, participando do apoio ou ocupando espaço ao lado de Vitor Roque. Quando o argentino está conectado ao jogo, o Palmeiras ganha uma referência que desorganiza a defesa adversária. E a renovação dele até 2030, anunciada nesta terça-feira, é um sinal claro de que o clube reconhece esse valor dentro do projeto.

Já Andreas tem um impacto menos visível, mas igualmente crucial. Ele não precisa invadir a área para ditar o ritmo de uma partida. Sua habilidade de oferecer linha de passe, organizar a saída de bola e encontrar o passe vertical é o que conecta os setores do time. Por isso, mesmo que sua presença não apareça nos holofotes, os 12 passes decisivos que ele acumula em 2026 ajudam a dimensionar uma influência que vai muito além dos números.

E o que dizer de Arias? O colombiano é quase o contraponto dessa dependência. Com sua mobilidade e capacidade de jogar tanto por dentro quanto pelos lados, ele dá a Abel a liberdade de mudar a configuração ofensiva sem precisar mexer em todo o time. No duelo contra o Santos, por exemplo, ele foi parte de uma estrutura que incluiu Maurício, Vitor Roque e Flaco, com Giay assumindo outras responsabilidades no corredor. O resultado foi um 3 a 0 convincente, com gols distribuídos entre diferentes jogadores.

Esse é o ponto que impede uma conclusão simplista. Nenhuma equipe de alto nível deixa de depender de seus craques — isso é até natural. O que o Palmeiras precisa evitar é que uma única ausência force os outros a tentarem reproduzir exatamente o que aquele jogador fazia. A forma como Abel lidou com a perda de Allan é um exemplo: ele mudou o papel de Maurício, deu outra função a Giay e reorganizou a equipe para manter o equilíbrio e a agressividade.

A própria evolução tática do Palmeiras reforça essa ideia. O time pode até parecer diferente no papel, mas o que muda é a distribuição de funções durante o jogo. Com três zagueiros no ataque, linha de quatro na defesa e mais gente no campo ofensivo, Abel mostra que a estrutura não é estática — é uma ferramenta para potencializar as características de cada um. Maurício, por exemplo, pode atuar por dentro com a bola e recompor pelo lado sem ela.

E é aí que mora o verdadeiro teste de maturidade. Se Andreas estiver abaixo, o Palmeiras precisa encontrar outros caminhos para construir. Se Flaco não conseguir se impor, é preciso buscar alternativas. O desafio, portanto, não é provar que não depende dos craques, mas sim que a força do coletivo é capaz de sustentar o time quando os holofotes não brilham para todos.

Fonte: br.bolavip.com

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