O Palmeiras entra na reta decisiva do Brasileirão com uma missão que vai muito além de somar pontos. Na próxima quinta-feira (8), diante do Bahia, no Nubank Parque, o time de Abel Ferreira precisa resgatar uma força que parecia parte da própria identidade do estádio: a vantagem de jogar em casa. Os números, porém, contam outra história.
Na primeira metade do campeonato, o Verdão ostentava impressionantes 85% de aproveitamento como mandante. Depois da pausa para a Copa do Mundo, esse rendimento despencou para 58,3%, com duas vitórias, um empate e uma derrota em quatro jogos. Essa queda explica por que uma equipe que chegou ao intervalo da competição com 77% de aproveitamento geral agora vê o Flamengo abrir distância na liderança.
É nesse cenário que Bahia e Corinthians ganham um peso enorme. O calendário presenteou o Palmeiras com duas partidas consecutivas em casa, no mesmo estádio, antes de uma viagem ao Rio para encarar o Fluminense pela Libertadores. Duas vitórias não mudariam apenas a tabela, mas também o clima para a semifinal continental.
Só que o primeiro desses desafios terá um ingrediente extra: o Nubank Parque não estará completo. Por causa da montagem de um palco para um show já agendado, o Gol Norte terá restrições, reduzindo a capacidade da arena em cerca de 25% a 30%. O clube já informou a limitação na venda de ingressos.
Esse detalhe merece atenção, mas sem exageros. Não se trata de criar desculpas antecipadas, nem de ignorar o impacto. O estádio tem capacidade oficial para 43.713 pessoas, e a redução mexe com a atmosfera que costuma empurrar o time. A pergunta central é: quanto dessa energia o Palestra consegue produzir apenas com o futebol apresentado em campo?
Aqui, a discussão muda de figura. O problema não é o show, mas sim o fato de o Palmeiras precisar reencontrar sua força como mandante antes de qualquer fator externo. É uma diferença sutil, porém decisiva: o mesmo estádio que já foi tratado como ativo pode se tornar variável de risco dependendo do momento.
O adversário também aumenta a complexidade. Bahia e Corinthians chegam como visitantes com desempenhos distintos nesse quesito. O Bahia está entre os melhores visitantes do campeonato, enquanto o Corinthians ocupa posição bem mais baixa. Ou seja, o primeiro desafio não será contra um time que depende do ambiente para competir — muito pelo contrário.
Por isso, o desafio de Abel Ferreira não é apenas inflamar a arquibancada. É fazer o time voltar a impor seu jogo: posse de bola, pressão alta, domínio territorial, recuperação rápida e eficiência para transformar superioridade em gols. Se o estádio terá menos gente, o time precisará compensar com mais futebol. E aí está a leitura tática mais interessante da partida.
Há ainda um segundo fator: a Data Fifa. O Palmeiras foi o clube brasileiro que mais cedeu jogadores às seleções e precisou montar uma operação especial para trazê-los de volta a tempo do duelo com o Bahia. Gómez, Sosa e Mauri são alguns dos nomes que exigem atenção redobrada nesse retorno.
O cenário está posto. O Palmeiras tem a chance de reencontrar o caminho da vitória em casa, mas precisará superar não só o adversário, mas também suas próprias limitações recentes. A reta final começa agora, e cada detalhe pode fazer a diferença entre o título e a frustração.
Fonte: br.bolavip.com



