Palmeiras na maratona: Abel e os 3 esquemas que podem decidir a temporada

Palmeiras na maratona: Abel e os 3 esquemas que podem decidir a temporada

Chegou aquele momento da temporada em que o Palmeiras precisa parar de pensar no que pode conquistar e começar a se perguntar até onde o futebol aguenta. O empate sem gols contra o Botafogo custou a liderança do Brasileirão, que agora pertence ao Flamengo, e escancarou o tamanho do desafio que vem pela frente. A sequência que se aproxima é brutal: LDU pela Libertadores, São Paulo pelo Campeonato Brasileiro e, no meio do caminho, ainda tem Copa do Brasil. A maratona chega num momento em que o time busca reencontrar consistência.

Os números mostram um time sólido, mas com sinais de desgaste. O Verdão soma 53 pontos em 26 rodadas, com 15 vitórias, oito empates e apenas três derrotas. Isso é campanha de quem briga pelo título, sem dúvida. Mas o recorte recente acende um alerta: em cinco jogos pelo Brasileirão, o time venceu apenas um. A queda de rendimento não apaga o que foi construído, mas deixa claro que Abel não vai simplesmente administrar o calendário. Ele vai precisar encontrar formas de manter o time competitivo enquanto as demandas aumentam.

E é aqui que mora a verdadeira questão. Não se trata apenas de ter um elenco recheado de opções. Abel terá que decidir quais características preservar em cada partida. Numa sequência curta como essa, repetir os mesmos onze titulares pode ser inviável, mas abandonar o modelo de jogo também não é o caminho. O segredo está em fazer ajustes pontuais sem quebrar as conexões que fazem o time funcionar.

O Palmeiras tem uma vantagem importante nesse cenário: não está preso a um único esquema. O 4-4-2 segue como base, mas o 4-2-3-1 pode surgir para aproximar um meia dos atacantes e aumentar a presença entre as linhas. E tem ainda uma terceira opção que ganhou força desde a Copa do Mundo: o jogo com três zagueiros. Nesse desenho, Abel libera os alas, protege melhor a defesa nas transições e consegue colocar mais gente à frente da bola sem se tornar conservador demais.

Contra times que se fecham, o 4-2-3-1 é uma arma poderosa: permite colocar um jogador entre as linhas, aproximar os pontas e criar superioridade numérica perto da área. Já diante de equipes que pressionam alto ou deixam espaços para contra-ataque, o 4-4-2 favorece ataques mais verticais e uma pressão inicial mais agressiva. Ou seja, a escolha do esquema pode ser menos sobre quem começa jogando e mais sobre qual problema Abel quer resolver naquele jogo.

E isso importa ainda mais porque uma simples substituição no Palmeiras pode gerar uma reação em cadeia. Colocar um jogador mais vertical muda a altura do ataque; um meia mais associativo aproxima as linhas; um lateral com outra característica altera a ocupação do corredor. Não existe troca isolada quando o time depende das relações entre os jogadores. Numa maratona dessas, entender essas consequências é tão importante quanto decidir quem precisa descansar.

O empate com o Botafogo expôs justamente esse problema: o Palmeiras chega ao campo de ataque, mas não transforma domínio em gol. Foram 17 finalizações, cinco no alvo, e o placar seguiu zerado. Arias e Vitor Roque entraram no segundo tempo, mas o time não conseguiu a aceleração necessária para mudar o jogo. A questão, portanto, não é só quantidade de atacantes em campo, mas a forma como eles se conectam. É aí que entram jogadores com perfis diferentes: Arias pode melhorar a criação pelos lados e por dentro, Vitor Roque oferece profundidade e ataque ao espaço, Flaco López serve de referência na área. Cada um traz uma solução distinta, e Abel precisará saber quando usar cada uma.

A maratona vai exigir mais do que talento. Vai exigir leitura de jogo, gestão de elenco e coragem para mexer no que parece funcionar. O Palmeiras tem tudo para sustentar as três frentes, mas o caminho passa pelas escolhas de Abel. E é exatamente aí que a temporada pode ser definida.

Fonte: br.bolavip.com

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