Palmeiras na final: lições do copo meio cheio e meio vazio de Abel

Palmeiras na final: lições do copo meio cheio e meio vazio de Abel

O Palmeiras carimbou mais uma vaga em final de Libertadores — e só isso já merece ser celebrado. A classificação sobre o Fluminense, conquistada nos pênaltis após derrota por 1 a 0 no tempo normal no Nubank Parque, teve roteiro de tirar o fôlego e mais uma vez coroou Carlos Miguel, herói ao defender a cobrança de Nonato.

Mas, entre a festa pela vaga em Montevidéu e o alívio por escapar da eliminação, sobram ensinamentos para Abel Ferreira, que, por outro lado, se consolida de vez entre os grandes treinadores da história da Libertadores.

O lado positivo começa pela dimensão do feito. Esta é a quarta final de Libertadores de Abel no comando do Palmeiras, que já ergueu a taça em 2020 e 2021 e ficou com o vice em 2025. O SEP chega à sua oitava decisão na história do torneio, com três títulos conquistados. São números que traduzem a consistência de um trabalho que transformou o Verdão em protagonista recorrente do continente.

Abel iguala Luiz Felipe Scolari, o Felipão, como treinador de clubes brasileiros com mais finais de Libertadores. É mais uma marca expressiva de uma trajetória que já o coloca entre os maiores técnicos da história palmeirense. Chegar tantas vezes à decisão continental não é algo trivial. A era Abel, independentemente das críticas pontuais, é amplamente vitoriosa.

Outro ponto positivo está na força mental demonstrada pelo elenco. Assim como aconteceu contra a LDU, nas quartas de final, o Palmeiras sofreu um golpe nos minutos finais, viu a vantagem desaparecer e precisou encarar a pressão de uma disputa por pênaltis. Em Quito e diante do Fluminense, porém, os jogadores não desmoronaram emocionalmente. O time suportou o momento de instabilidade e encontrou forças para avançar em duas decisões de altíssima tensão.

Carlos Miguel, com seus 2,04m de altura, tornou-se novamente protagonista. Sua defesa na cobrança de Nonato reforçou a sensação de que o Palmeiras encontrou um goleiro capaz de intimidar os adversários na marca da cal.

Além disso, a equipe mostrou variedade e qualidade entre os cobradores: Maurício, Sosa, Gustavo Gómez, Piquerez e Marlon Freitas converteram suas cobranças com segurança. O elenco ainda conta com outros jogadores de boa batida, como Andreas Pereira, Flaco López e Jhon Arias, embora nem todos estivessem em campo naquele momento. É um recurso valioso para quem pretende disputar o título continental.

O lado negativo, entretanto, começa na maneira como o Palmeiras administrou a vantagem. Depois de vencer por 2 a 1 no Maracanã, o time de Abel teve a oportunidade de controlar a semifinal em casa, mas confundiu, em determinados momentos, segurança com passividade.

Mesmo com a posse de bola, faltou agressividade para incomodar o Fluminense, atacar os espaços e impedir que o adversário assumisse o protagonismo da partida. O Verdão pareceu mais preocupado em proteger o resultado do que em construir as condições para vencer.

O problema não é adotar uma estratégia defensiva. Em confrontos eliminatórios, saber sofrer, reduzir espaços e controlar o ritmo faz parte do repertório de qualquer equipe competitiva. A questão é o limite entre administrar uma vantagem e entregar ao adversário a iniciativa do jogo.

Quando o Palmeiras abdica de atacar, transforma cada cruzamento, bola parada ou erro individual em uma ameaça potencialmente decisiva. Foi o que aconteceu com o gol de Hércules, aos 37 minutos do segundo tempo, que levou a decisão aos pênaltis e colocou em risco uma classificação que parecia encaminhada.

A história recente oferece exemplos dos dois lados. Nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2024, o Palmeiras sof…

Fonte: br.bolavip.com

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