Palmeiras: empate sem gols expõe crise de criação e falta de respostas

Palmeiras: empate sem gols expõe crise de criação e falta de respostas

O Palmeiras não perdeu para o Botafogo, mas o 0 a 0 no Nilton Santos deixou um gosto amargo que pode ser mais preocupante do que uma derrota. Quando você domina a partida, cria chances e ainda assim não marca, o problema vai além de um dia ruim. O time de Abel Ferreira, que já foi sinônimo de eficiência, agora parece travado, sem conseguir transformar posse de bola em gols. E isso, meu amigo, é um sinal de alerta e tanto na briga pelo título.

Os números contam a história: 66% de posse, 16 finalizações contra 12 do adversário. Mas o placar não saiu do zero. Ter a bola, hoje, não significa controlar o jogo. O Palmeiras ocupa o campo adversário, circula a bola, mas falta aquela agressividade para furar uma defesa bem postada. É como se o time tocasse a bola no meio, olhasse para a frente e não encontrasse ninguém para finalizar com personalidade.

A grande questão está nas escolhas de Abel Ferreira. Jhon Arias e Vitor Roque começaram no banco, enquanto Lucas Evangelista, um volante de origem, foi escalado em uma função ofensiva que exige características de atacante. Não estou dizendo que Arias resolveria tudo, mas quando você abre mão de uma das suas principais armas técnicas, precisa ter um plano B que entregue algo parecido. E esse plano B não apareceu.

Lucas Evangelista se tornou o símbolo dessa aposta fracassada. Ele tem intensidade, sabe circular a bola, mas não tem o faro de gol nem os movimentos de quem vive na área. Quando a estratégia depende de infiltrações e finalizações no último terço, as peças precisam se encaixar. Caso contrário, o desenho tático fica bonito no papel, mas desmorona quando a bola rola.

A entrada de Arias no segundo tempo mostrou isso na prática. O colombiano trouxe outra dinâmica, acelerou o jogo e deu mais profundidade ao ataque. Claro que não dá para garantir que ele teria feito a diferença desde o início, mas fica claro que o time perdeu uma ferramenta importante ao deixá-lo no banco. Vitor Roque, por outro lado, é um caso à parte. Mais uma vez, ele entrou e não conseguiu mudar o panorama. A cada jogo, a cobrança aumenta, e a resposta não vem.

E nem a defesa, que sempre foi o porto seguro, passou ilesa. Piquerez teve uma noite para esquecer, com erros bobos no domínio e nos passes. Gustavo Gómez, como sempre, foi o pilar de segurança, mas até ele parece sobrecarregado. Não dá para exigir que a zaga resolva, jogo após jogo, o que o ataque não resolve. Uma hora a conta chega.

O recado para a disputa do Brasileirão é claro: candidato ao título pode vencer na base da organização, suportar pressão e arrancar resultados fora de casa. O que não pode é depender exclusivamente de não sofrer gols para compensar a falta de criatividade. Em uma competição tão longa, sobreviver não é suficiente. Abel Ferreira precisa repensar suas escolhas, não pela originalidade, mas pela eficácia. Contra o Botafogo, o Palmeiras teve posse, volume e opções no banco, mas faltou o mais importante: quebrar a resistência adversária. E isso, meu amigo, é um problema que não se resolve com discurso, mas com soluções práticas dentro de campo.

Fonte: br.bolavip.com

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