Palmeiras domina, mas alerta liga o sinal vermelho para a reta final

Palmeiras domina, mas alerta liga o sinal vermelho para a reta final

O Palmeiras vive um daqueles momentos em que o desempenho em campo conta uma história, mas a tabela conta outra bem diferente. O empate em 0 a 0 com o Grêmio, fora de casa, escancarou um paradoxo que já vinha rondando o Verdão: como um time pode produzir tanto e, ainda assim, sair de campo com apenas um ponto?

Os números do duelo em Porto Alegre impressionam. Foram 72% de posse de bola, nada menos que 31 finalizações — dez delas no alvo — e nove escanteios. Essa foi, inclusive, a maior produção ofensiva do Palmeiras desde que o Campeonato Brasileiro voltou após a pausa da Copa do Mundo. O time chegou, chegou muito, mas pecou na hora de transformar todo esse volume em gol. E é aí que mora o problema.

Dentro desse cenário, Carlos Miguel surgiu como uma das poucas notas positivas individuais. O goleiro fez quatro defesas e foi fundamental para impedir que o Grêmio explorasse os espaços que apareceram em alguns contra-ataques. Mas há um outro lado dessa moeda: mesmo com um domínio tão amplo, o Verdão permitiu que o adversário chegasse com perigo e exigisse intervenções decisivas do seu arqueiro. Ou seja, não dá para pintar um quadro excessivamente favorável.

O paradoxo fica ainda mais evidente quando olhamos para as oportunidades criadas. O Palmeiras finalizou 19 vezes de dentro da área, criou cinco grandes chances e acertou duas bolas na trave. Mesmo assim, o placar não saiu do zero. Foi volume suficiente para justificar a expectativa de gol, mas faltou o que todo torcedor sabe que é decisivo: transformar superioridade em vantagem no marcador.

Quando o duelo contra o Grêmio deixa de ser apenas mais um jogo e passa a ser uma amostra do momento, o cenário ganha contornos mais sérios. Antes da pausa para a Copa, o Palmeiras havia somado 75,9% dos pontos, com 12 vitórias, cinco empates e apenas uma derrota em 18 partidas. Depois da retomada, são quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas em dez rodadas — um aproveitamento de 53,3%. A queda é objetiva: mais de 22 pontos percentuais de rendimento a menos justamente na fase em que a disputa pelo título ficou mais acirrada.

A virada de chave negativa do Palestra

Os tropeços ajudam a explicar por que a questão ofensiva ganhou tanta relevância. Desde a volta do Brasileirão, o Palmeiras empatou com Internacional, Mirassol e Grêmio, todos adversários envolvidos na parte de baixo da tabela. O problema não é afirmar que o Verdão deveria obrigatoriamente vencer todos esses confrontos, mas sim perceber a repetição: quando a partida exige que o favorito transforme domínio ou oportunidades em três pontos, a margem de segurança do Palmeiras encolhe consideravelmente.

Há uma ironia estatística importante nessa história: o empate com o Grêmio aconteceu justamente quando o Palmeiras apresentou seu maior volume ofensivo desde a retomada. Isso significa que seria equivocado diagnosticar simplesmente uma queda na capacidade de atacar. A equipe continua ocupando o campo adversário, finalizando e criando. O que aparece com mais força é a dificuldade de fazer essa produção se converter em resultado com regularidade. O 0 a 0, nesse sentido, não torna o diagnóstico mais evidente — pelo contrário, escancara a falta de efetividade.

A situação fica ainda mais delicada quando se olha para o líder. O Flamengo chegou a 60 pontos depois de vencer o Bragantino por 2 a 1, enquanto o Palmeiras ficou nos 57. O Verdão, que chegou à pausa da Copa com sete pontos de vantagem sobre o rival, perdeu essa gordura ao longo da retomada. A diferença atual não nasceu de uma única rodada, mas de uma sequência na qual o Palmeiras passou a somar pontos em ritmo inferior ao apresentado no primeiro trecho do campeonato.

As camadas do problema

Isso revela que a deficiência ofensiva precisa ser tratada em mais de uma camada. Existe a eficácia na conclusão, mas também existe a capacidade de transformar superioridade territorial em vantagem antes que o adversário encontre uma resposta. Contra o Grêmio, por exemplo, o Palestra terminou com 2,53 de xG (expectativa de gol) contra 0,92 do adversário. A diferença foi grande, mas o placar não registrou nenhuma delas.

Um empate

Fonte: https://br.bolavip.com/palmeiras/palmeiras-produz-e-domina-mas-expoe-alerta-que-ameaca-reta-final-da-temporada

Fonte: br.bolavip.com

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