O Palmeiras bateu o Athletico-PR por 2 a 0 na Arena da Baixada e chegou a 103 gols em 2026. O número, por si só, já chama atenção. Mas o que realmente merece análise é outra coisa: a forma como esses gols estão distribuídos. Flaco López segue como principal referência, com 23 gols, mas a produção ofensiva do Verdão passa por muitos pés — e é aí que mora a vantagem competitiva do time de Abel Ferreira.
Comece pelos números da concentração. Flaco tem 23 gols; Maurício, após marcar em Curitiba, chegou a 12. Juntos, os dois somam 35 gols, cerca de 34% dos 103 do Palestra. Ou seja: o argentino concentra a maior fatia da produção, mas quase dois terços dos gols não dependem dessa dupla. Traduzindo: o Palmeiras ativa seus principais finalizadores sem colocar todo o peso da decisão sobre eles. É um time que tem referências, mas não depende delas para marcar.
A sequência da artilharia confirma essa leitura. Ramón Sosa e Vitor Roque aparecem com nove gols cada; Arias tem oito; Allan, seis. São perfis diferentes, que oferecem soluções distintas conforme o espaço disponível e o comportamento da defesa adversária. A soma dessas características amplia as possibilidades de finalização — embora a quantidade de gols, sozinha, não prove que todos os mecanismos funcionem com a mesma frequência.
A participação dos defensores adiciona outra camada. Gustavo Gómez e Murilo têm cinco gols cada; Giay soma três; Barboza e Piquerez aparecem com um cada. A contribuição não vem apenas de quem recebe a última bola. Zagueiros decidem em bolas paradas, laterais aparecem em situações de finalização e jogadores que começam mais recuados ocupam a área quando o lance exige. Para quem enfrenta o Verdaço, marcar apenas o centroavante é correr o risco de deixar outros alvos livres em lances decisivos.
O caso de Piquerez ganhou exemplo concreto na vitória sobre o Athletico-PR. O lateral uruguaio marcou de falta aos nove minutos, ampliando a vantagem que Maurício havia aberto quatro minutos antes, após tabela com Flaco López. Dois gols em situações distintas, construídos logo no início: um de combinação entre jogadores de ataque, outro de bola parada. A partida mostra como o time constrói vantagem por caminhos diferentes, sem depender de uma longa sequência de posse.
O meio-campo também entra nessa equação. Andreas Pereira, Felipe Anderson e Marlon Freitas têm quatro gols cada; Paulinho soma dois. A presença desses nomes na artilharia mostra que a produção não fica restrita a quem joga permanentemente perto da área. E há ainda os que não ocupam o centro das atenções: Luighi tem dois gols, enquanto Khellven e Erick Belé aparecem com um cada. Contribuições menores em volume, mas relevantes para medir a capacidade do elenco de produzir quando as primeiras opções não resolvem.
Um levantamento do jornalista PVC, publicado em 18 de outubro, contabilizou 53 gols em jogadas de posse e construção, 27 em bolas paradas, 11 em contra-ataques, oito em situações de pressão direta ao gol e 11 em finalizações de fora da área. A variedade de repertório é o que separa ter muitos goleadores de ter um ataque verdadeiramente imprevisível. E é exatamente essa diferença que o Palmeiras parece ter construído em 2026.
Fonte: br.bolavip.com



