O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 20, a indicação de Otto Lobo para assumir a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com 31 votos a favor e 13 contra, a decisão agora segue para nomeação oficial no Diário Oficial da União (DOU). Antes da votação em plenário, Lobo passou por uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde foi aprovado por 19 votos a quatro.
A trajetória de Lobo até a aprovação foi marcada por atrasos. Indicado pelo governo ainda em janeiro, a mensagem só chegou ao Senado em fevereiro. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou o texto à CAE apenas em abril, o que gerou especulações sobre uma suposta insatisfação pessoal — algo que Alcolumbre nega veementemente.
O perfil de Otto Lobo é visto como mais político do que técnico, o que acendeu alertas no mercado financeiro, especialmente após o caso do Banco Master. A preocupação com a postura de altos executivos em órgãos reguladores como a CVM e o Banco Central cresceu. Internamente, a equipe econômica do governo preferia outro nome para o cargo, e a indicação de Lobo foi interpretada como uma derrota para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Lobo já atuava como presidente interino da CVM até 31 de dezembro de 2025, quando seu mandato expirou. Ele chegou à diretoria do órgão em 2022, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Durante a sabatina na CAE, foi questionado sobre o caso Ambipar e afirmou que “o presidente da CVM não pode se dobrar a pressões externas”. Ele também negou qualquer favorecimento ao Banco Master em sua gestão.
Outro tema abordado foi o suposto apoio do empresário Joesley Batista. Lobo disse não ter informações sobre isso e garantiu que não se sente impedido de julgar casos envolvendo a JBS, já que as decisões na CVM são colegiadas.
Na mesma sessão, o Senado também aprovou Igor Muniz para uma diretoria na CVM, com 39 votos a favor, nove contra e uma abstenção. Advogado e ex-presidente da Comissão de Direito Societário da OAB/RJ, Muniz reforça o time da autarquia em um momento de cobranças por maior fiscalização no mercado de capitais, especialmente após a repercussão do Banco Master.
Essas aprovações acontecem em um cenário de atenção redobrada para a regulação financeira no Brasil, e os olhos do mercado estarão voltados para as próximas ações de Lobo à frente da CVM.
Fonte: www.infomoney.com.br



