O Escritório Voltou: Novo Papel nas Empresas Pós-Pandemia

O Escritório Voltou: Novo Papel nas Empresas Pós-Pandemia

A pandemia de Covid-19 já é passado, mas seu legado transformou para sempre o mundo do trabalho. Seis anos depois do vírus chegar ao Brasil, a grande maioria das empresas já retomou as atividades presenciais — e quem ainda não voltou sinaliza que a hora está chegando.

Gigantes como Amazon, JPMorgan Chase, Dell, Uber, Starbucks, Nubank e Bradesco estão reduzindo ou eliminando o trabalho 100% remoto. O escritório está de volta, mas não é o mesmo de antes. Ele agora desempenha um papel estratégico e redefinido dentro das organizações.

O InfoMoney ouviu CEOs, executivos e diretores para entender o futuro do trabalho no país. O consenso? O modelo híbrido — que mescla dias no escritório com trabalho remoto — é o novo padrão. Os líderes são unânimes em um ponto: o contato presencial é insubstituível para construir cultura, formar talentos e impulsionar a inovação. A volta ao escritório, portanto, ganhou uma nova missão.

Híbrido é o Novo Normal

A Aon, consultoria global com mais de 60 mil funcionários, hoje opera em três modelos: presencial, híbrido e remoto, definidos por função. Para Adriana Zanni, VP de RH para a América Latina, o híbrido se consolida como padrão. “O 100% presencial deixou de ser diferencial, e o 100% virtual funciona para algumas posições, mas não para todas”, afirma.

Ela destaca que os encontros presenciais são cruciais para fortalecer relações e a cultura corporativa, baseada em três pilares: foco no cliente, desenvolvimento (coaching) e celebração das conquistas.

Presencial Como Alicerce da Cultura e do Aprendizado

Algumas empresas adotam uma postura mais firme. A TCS Brasil, subsidiária da indiana Tata Consultancy Services, retomou o trabalho 100% presencial em seu principal centro de operações no início de 2023.

“A formação de pessoas acontece quando gente está com gente”, argumenta Renato Sposito, diretor de RH. “A aceleração do conhecimento vem da convivência.” A empresa notou uma queda na rotatividade após o retorno. “A pandemia criou uma lacuna de crescimento social para os jovens. A convivência aumenta o senso de pertencimento”, analisa.

Executivos destacam que o presencial é vital para funções que exigem desenvolvimento acelerado, especialmente entre os mais jovens. A convivência diária com líderes favorece o aprendizado informal.

Na Ford, programas de integração com encontros presenciais aceleram a adaptação. Pesquisas internas apontam satisfação acima de 90% nos primeiros meses, reforçando o valor da interação direta.

Flexibilidade: A Conquista que Veio para Ficar

Para outras companhias, a flexibilidade conquistada na pandemia se tornou um trunfo para atrair e reter talentos. Eric Lundgren, CEO da Generali Brasil, explica que a seguradora adotou um modelo híbrido com presença mínima obrigatória no escritório.

A empresa pede que os colaboradores estejam presentes pelo menos dois dias por semana. A estratégia equilibra a necessidade de conexão com a autonomia valorizada pelos profissionais, mostrando que o futuro do trabalho é, acima de tudo, sobre escolha inteligente e propósito.

Fonte: www.infomoney.com.br

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