Oakland, Califórnia — A imagem pública de Elon Musk e Sam Altman é uma construção meticulosa. Musk, sempre de preto, cultiva um visual associado a foguetes e armas de fogo. Altman, por sua vez, posa como um estadista moderno, herdeiro da aura de Steve Jobs. Bilionários da tecnologia, ao que parece, investem pesado na própria percepção pública. Mas um processo judicial acirrado entre os dois expôs o que existe por trás da fachada. Passei as últimas duas semanas no quarto andar do tribunal federal Ronald V. Dellums, em Oakland, observando Musk e Altman se enfrentarem em um julgamento repleto de acusações e farpas sobre a OpenAI, a empresa de inteligência artificial que fundaram juntos.
A ação movida por Musk contra Altman não é apenas uma briga de egos: bilhões de dólares e o futuro da indústria de IA estão em jogo. Mas o caso também importa porque ofereceu uma visão privilegiada de como dois homens que juntos valem mais de US$ 670 bilhões se comportam sob pressão extrema. Musk, de 54 anos, levou uma bolinha antiestresse para apertar durante o depoimento, enquanto se remexia no banco. Altman, de 41 anos, trocava olhares com outras pessoas ao caminhar da área das testemunhas até o tribunal — Musk, por outro lado, mantinha os olhos fixos no chão. Já Greg Brockman, presidente da OpenAI, de 38 anos, surpreendia pela altura e pela companhia constante da esposa, Anna.
Pense nesse julgamento como assistir ao Mágico de Oz no momento em que o cachorro Totó puxa a cortina e revela o homem comum por trás da ilusão. “A forma tradicional como executivos de tecnologia operam é se blindar, criando exércitos de assessores, equipes de relações públicas e processos organizacionais para construir uma imagem totalmente fabricada”, explicou Dex Hunter-Torricke, fundador do Center for Tomorrow. “No instante em que você consegue puxar a cortina, percebe que essas pessoas são apenas seres humanos.”
No processo movido em 2024, Musk acusou a OpenAI de se aproveitar de seu dinheiro e violar o acordo de fundação, que previa uma organização sem fins lucrativos voltada ao interesse público. A OpenAI classificou a ação como frívola e uma tentativa de frear a empresa enquanto Musk cria uma concorrente. Se considerada culpada, a OpenAI pode ser condenada a pagar US$ 150 bilhões.
Quando o julgamento começou, na semana de 27 de abril, a cidade parecia ter recebido um verdadeiro circo. Do lado de fora, um grupo de protesto chamado Stop AI segurava um recorte de papelão de Musk usando roupa de banho — a imagem não era nada lisonjeira. Outro grupo levou um boneco inflável típico de concessionárias, com os dizeres “Elon Sucks” em letras brancas. Uma mulher adotou um tom mais equilibrado em seu cartaz: “Musk x Altman: todo mundo é péssimo aqui.”
Nem todos estavam ali para criticá-los. Conversei com estudantes universitários que correram até o tribunal para ter um vislumbre reverente de Musk. O tribunal disponibilizava 30 assentos sem reserva por dia; quem quisesse um precisava chegar antes das 7h, ou seria enviado para uma sala de transmissão. Uma mulher vestida de preto passava as manhãs no pátio tirando selfies enquanto vaporizava. A cena era digna de um espetáculo.
Fonte: www.infomoney.com.br



