Nova regra da CBF para estrangeiros: Santos terá que acertar mais

Nova regra da CBF para estrangeiros: Santos terá que acertar mais

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou recentemente, após reunião com os clubes no Rio de Janeiro, uma mudança significativa nas regras de estrangeiros permitidos no Brasileirão. A ideia é reduzir gradativamente o limite de gringos por equipe até chegar a cinco em 2030. O Santos votou a favor da alteração e, na minha visão, isso não é ruim para o clube paulista.

Hoje, a CBF permite nove estrangeiros por clube na lista de relacionados do Campeonato Brasileiro. Um estudo encomendado pela entidade revelou que a idade média dos jogadores da Série A subiu para 28,5 anos, além de um menor aproveitamento de jovens. Em 2026, segundo a Confederação, atletas Sub-23 registram apenas 13,8% dos minutos jogados no Brasileirão — número inferior a outras ligas europeias. A diminuição dos estrangeiros é uma tentativa de abrir mais espaço para os jovens nos times.

A partir de 2027, o Brasileirão passará a permitir 8 estrangeiros, e o número será reduzido ano a ano até o limite de 5 gringos. Alexandre Mattos, diretor do Santos, se mostrou favorável à mudança. “O Brasil sempre foi reconhecido como formador, mas nos últimos anos passou a ocupar uma posição de comprador, especialmente dos jovens nos outros países da América do Sul. Esse movimento reduz o espaço para o surgimento de novos talentos brasileiros e inverte uma característica histórica do nosso futebol, que é revelar craques. É preciso encontrar uma maneira de equilibrar esse cenário, com mais critérios na contratação”, declarou o dirigente ao Estadão.

Atualmente, o Santos tem seis estrangeiros no elenco: Christian Oliva, Gonzalo Escobar, Benjamín Rollheiser, Álvaro Barreal, Miguelito e Caballero. Alexis Duarte, zagueiro paraguaio, também pertence ao Peixe, mas rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito durante empréstimo pelo Libertad, do Paraguai, e só retorna aos gramados em 2027.

Ou seja, no curto prazo, o Peixe não precisaria negociar nenhum jogador para se adequar à nova regra. Além disso, o clube paulista contratou muitos gringos que não renderam dentro de campo. No quadro Direto da Redação, avalio que essa mudança vai forçar o Alvinegro a ser mais criterioso nas contratações de atletas de outros países.

Um exemplo recente é Adonis Frías, contratado em setembro de 2025 junto ao León, do México. O defensor argentino não conseguiu se firmar com a camisa santista e foi muito criticado em sua passagem pelo clube — foram 19 jogos em 2026. Até que, em agosto, o Peixe vendeu o atleta ao Atlas, mas tem uma dívida pela contratação do jogador e corre risco de transferban.

Outras contratações de gringos duvidosas

Em 2024, a gestão de Marcelo Teixeira contratou os atacantes Yusupha Njie, de Gâmbia, que não fez nenhum jogo pelo clube na Série B. Outro exemplo negativo é o meia-atacante Billy Arce — o jogador, hoje no Bolívar, entrou em campo apenas duas vezes com a camisa santista.

Já em 2025, o lateral-direito argentino Leonardo Godoy chegou no começo daquele ano e, após um Estadual e um início de Brasileirão ruim, deixou o Santos em junho do ano passado para se acertar com o Independiente, da Argentina. E o que falar do atacante argelino Billal Brahimi, que chegou com um salário altíssimo no Peixe? O atacante fez apenas uma partida com o então técnico Vojvoda e não foi mais aproveitado. Em fevereiro, a diretoria santista emprestou o jogador ao Estrela Vermelha, de Portugal, e em julho deste ano o contrato foi rescindido.

Lautaro Díaz, hoje no Racing, da Argentina, também teve uma passagem apagada no clube e foi liberado antes do fim do empréstimo. O Santos teve muitos gastos nos últimos anos com estrangeiros de qualidade técnica duvidosa e, a partir de 2027 com essa nova regra, terá que focar mais em qualidade do que em quantidade.

Fonte: br.bolavip.com

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