A discussão sobre isenções fiscais para empresas tomou conta do debate eleitoral em Minas Gerais neste domingo, revelando uma das maiores divergências entre os postulantes ao governo. Enquanto alguns defendem a revisão ou o fim desses benefícios, outros alertam para o risco de afugentar investimentos e agravar a crise econômica do estado.
O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, foi o mais incisivo ao propor o fim das isenções. Para ele, com o estado endividado, não faz sentido abrir mão de arrecadação. “Se estamos devendo, não podemos deixar de arrecadar nada”, disparou. Ele ainda defendeu um combate mais duro à sonegação e cortes de despesas, além de cobrar coragem do próximo governador para aumentar a receita.
Gabriel Azevedo, do MDB, seguiu na mesma linha, mas com um foco especial em transparência. Para o candidato, é preciso revisar os subsídios concedidos às empresas e abrir os dados sobre quem realmente se beneficia desses incentivos. Ele também criticou a disparidade entre o tratamento dado a grandes corporações e a cobrança rígida de impostos sobre pequenos contribuintes, destacando que bilhões deixam de entrar nos cofres públicos enquanto a população sofre com a carga tributária.
Alexandre Kalil, do PDT, classificou a situação como “alarmante” e alertou para o risco de um rombo ainda maior no futuro. “Em cinco anos, se continuarmos dando isenção fiscal, o rombo vai ser muito grande”, afirmou. Para ele, o problema central é a falta de transparência sobre as empresas beneficiadas, e a manutenção dos benefícios pode aprofundar o desequilíbrio das contas estaduais.
Em posição oposta, Flávio Roscoe, do PL, fez uma defesa enfática dos incentivos fiscais. Ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Roscoe argumentou que atacar esses mecanismos demonstra desconhecimento sobre como eles funcionam. “Falar no fim das isenções fiscais para empresas é deixar que elas migrem para outros estados”, disse, reforçando que a medida poderia levar à fuga de indústrias e agravar a situação econômica.
Roscoe também lembrou que a reforma tributária já prevê o fim gradual desses benefícios e defendeu uma estratégia baseada no crescimento econômico e no aumento da produtividade como caminho para elevar a arrecadação sem penalizar o setor produtivo.
O debate expõe um dilema central para o futuro de Minas: como equilibrar as contas sem comprometer a competitividade do estado? Enquanto alguns enxergam nas isenções um privilégio injustificável, outros veem nelas uma ferramenta essencial para atrair e manter investimentos. A decisão, que caberá ao eleitor nas urnas, definirá os rumos da política fiscal mineira nos próximos anos.
Fonte: www.infomoney.com.br


