A renovação de Memphis Depay com o Corinthians quase esbarrou em um número que chamou a atenção de todo mundo: R$ 15,4 milhões. Esse valor, previsto em ações comerciais, virou um dos maiores pontos de resistência dentro do clube. A diretoria considerava o montante alto, e por isso a confirmação do novo vínculo não saiu de imediato na última semana. Mas, no fim, as partes chegaram a um acordo e o atacante segue no elenco.
Agora que a permanência está encaminhada, a torcida ficou se perguntando: como o Corinthians conseguiria gerar esses R$ 15,4 milhões? Seria por novos patrocínios? Campanhas com o jogador? Ou o clube teria estrutura para transformar o potencial comercial de Memphis em receita de verdade?
Para esclarecer essas dúvidas, o Bolavip Brasil conversou com Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing. Ele explicou como funciona uma cláusula desse tipo, o que o Corinthians precisaria fazer para explorar a imagem do atacante e quais riscos existiam em assumir uma garantia tão alta.
**Como funcionavam os R$ 15,4 milhões?**
O acordo previa uma garantia mínima de R$ 15,4 milhões de lucro líquido para Memphis, vinda de oportunidades comerciais prospectadas pelo Corinthians. O pagamento seria dividido em quatro parcelas: R$ 6,16 milhões em dezembro de 2026, e três de R$ 3,08 milhões, com vencimento em junho de 2027, dezembro de 2027 e julho de 2028.
Além do piso garantido, o contrato também definia regras para valores que ultrapassassem esse montante. Mas, para entender como o clube alcançaria esse número, é preciso analisar a estratégia comercial por trás da contratação.
“Quando um contrato estabelece uma meta desse tipo, o clube precisa investir para criar ações que possam ser transformadas em negócios. Não é simplesmente colocar o jogador em uma campanha e esperar que o dinheiro apareça. É preciso investir em planejamento, ativação, estrutura comercial e prospecção para transformar o potencial de exposição daquele atleta em novas oportunidades e receitas para o clube”, destacou Wolff.
Na prática, os R$ 15,4 milhões não eram uma meta de faturamento anual entre clube e jogador. Representavam o lucro líquido mínimo que Memphis receberia a partir das negociações intermediadas pelo Corinthians.
**Um jogador pode “se pagar” comercialmente?**
A ideia de uma estrela ajudar a bancar o próprio investimento não é novidade no futebol brasileiro. Wolff citou Ronaldo Fenômeno como exemplo, mas ressaltou que a fama do atleta, por si só, não garante retorno financeiro.
“O Ronaldo mostrou que um jogador pode, sim, se pagar comercialmente. Mas isso depende de planejamento estratégico. Não estamos falando exatamente do mesmo modelo, mas o princípio é parecido: não basta se propor a fazer isso, é preciso planejar como transformar a contratação em negócios. É necessário estruturar as ações, buscar parceiros e criar oportunidades comerciais a partir da presença do atleta. Quando não existe esse planejamento, uma meta que poderia ser uma oportunidade acaba se transformando em dívida”, explicou.
No caso de Memphis, a lógica seria a mesma. O atacante tinha potencial para ajudar o Corinthians a gerar novas receitas, mas isso dependeria da capacidade do clube de transformar sua imagem em negócios. Sem planejamento, o que poderia ser uma fonte de receita viraria mais um compromisso financeiro no caixa.
**O que uma marca enxerga em Memphis?**
O valor comercial de Memphis vai além da exposição de um jogador famoso. Ele tem alcance internacional, pode ajudar o Corinthians a ampliar sua presença em novos mercados e apresentar propriedades comerciais inéditas para as marcas.
Para Wolff, esse potencial pode ser explorado de várias formas: “O efeito Memphis vai muito além da exposição de um jogador. Ele pode contribuir para títulos, para a internacionalização da marca Corinthians e para ampliar a presença do clube em mercados que ainda não foram explorados”.
Fonte: br.bolavip.com



