No debate da Band realizado no último domingo (16), o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), fez uma revelação surpreendente: ele não leu integralmente o plano de governo que apresenta para a eleição de 2026. A declaração veio após uma provocação de Gabriel Azevedo (MDB), que questionou Kalil sobre suas propostas para motoristas e entregadores de aplicativos.
Gabriel, que demonstrou conhecimento detalhado do programa do pedetista, citou medidas específicas e perguntou quais seriam as sugestões de Kalil para o setor. A resposta do ex-prefeito foi direta: “Gabriel, que bom que você leu meu programa. Eu, particularmente, não li. Só li o resumo, porque eu estou me dedicando a estudar o estado com muito cuidado e debatendo pessoalmente.”
A declaração não passou despercebida. Gabriel aproveitou a deixa para reforçar seu compromisso com a transparência: “Meu plano de governo eu li, não assino sem ler.” A resposta foi uma crítica indireta à postura de Kalil, que também enfrentou acusações sobre sua gestão na prefeitura.
Kalil negou que tenha tentado restringir o trabalho de motoristas de aplicativos durante seu mandato. “Isso é mentira. Eu trouxe o Uber e o táxi para a mesa. Houve um profundo debate na época. Era um acordo difícil e complicado e foi tudo ajeitado”, afirmou. Ele explicou que sua atuação buscou lidar com os desafios impostos pela modernidade, especialmente com a expansão dos aplicativos de transporte.
O confronto escalou para outros temas. Gabriel acusou Kalil de desrespeitar professores e criticou o uso da expressão “tom professoral”. Kalil rebateu, dizendo que a expressão não tinha intenção ofensiva: “Eu tenho dois professores em casa. Eu não sou assim. Tom professoral é uma forma idiomática. Não é falar mal.”
A discussão sobre o plano de governo levanta questões importantes para os eleitores. Como um candidato pode defender propostas que não leu? A resposta de Kalil, embora sincera, pode gerar dúvidas sobre seu preparo e comprometimento com o cargo que almeja. Em uma disputa acirrada, cada detalhe conta, e a transparência é um dos pilares da confiança pública.
O debate também abordou temas como a dívida de Minas Gerais com a União, com os candidatos defendendo renegociações e revisões de incentivos. Patrus, do PT, não participou, pois estava acompanhando Lula em São Paulo, e sua ausência foi notada.
Kalil, que aparece com 10% nas pesquisas Quaest, busca consolidar seu espaço no segundo pelotão da corrida pelo governo mineiro. Contudo, declarações como essa podem ser uma faca de dois gumes: ou mostram autenticidade, ou reforçam a imagem de despreparo. O eleitor mineiro terá que decidir se a honestidade de Kalil compensa a falta de conhecimento do próprio plano.
Fonte: www.infomoney.com.br



