Justiça barra ‘Times Square Paulistana’: obras suspensas e polêmica no centro de SP

Justiça barra ‘Times Square Paulistana’: obras suspensas e polêmica no centro de SP

A tão falada ‘Times Square Paulistana’, oficialmente conhecida como Boulevard São João, sofreu um revés significativo. Nesta quarta-feira, 27, a Justiça de São Paulo concedeu uma liminar que suspende o projeto e proíbe o início de qualquer obra ou instalação. A decisão foi tomada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, e cabe recurso. O Estadão já procurou a Prefeitura de São Paulo, que ainda não se manifestou oficialmente.

O que motivou a juíza? Ela destacou a ‘magnitude do projeto, o impacto na região, bem como o potencial dano à população’. A liminar não só para as obras, mas também suspende os efeitos da deliberação da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) e a formalização do termo de cooperação que permitiria a instalação de quatro gigantescos painéis de LED — com áreas entre 300 m² e 1.000 m² — na esquina das avenidas Ipiranga e São João, coração do centro paulistano.

A CPPU, vale lembrar, é o órgão que zela pela Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2007. Essa lei baniu outdoors e restringiu a publicidade na capital para combater a poluição visual. Agora, a juíza quer ver a ata completa da reunião da CPPU que aprovou o projeto, a minuta do termo de cooperação e os pareceres técnicos da Secretaria Municipal de Urbanismo e da São Paulo Urbanismo. A ação popular que levou à liminar foi movida por Angelo Andrea Matarazzo e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), entre outros.

Mas o que exatamente é o Boulevard São João? É um projeto de requalificação urbana no trecho da Avenida São João entre o Largo do Paiçandu e a Praça Julio Mesquita. Nele, seriam instalados quatro painéis de LED em quatro prédios: Cine Paris República (20m x 20m), Edifício Herculano de Almeida (30m x 10m), Galeria Sampa (20m x 20m) e Edifício New York (40m x 25m). Os patrocinadores ocupariam 30% do tempo dos telões, enquanto o restante seria para arte e informações públicas.

O termo de cooperação entre a Prefeitura e a Fábrica de Bares — grupo que administra o Bar Brahma, o Riviera Bar e o Café Girondino — foi publicado no Diário Oficial do Município em 23 de abril e tem validade de três anos. A instalação dos painéis estava prevista para agosto e setembro. A ideia, segundo empresários e poder público, era turbinar a atratividade do centro histórico, aumentando o fluxo de pessoas, melhorando a segurança e aquecendo a economia local, especialmente à noite.

Pela determinação da CPPU, os LEDs funcionariam das 5h às 23h, desligados na madrugada para não atrapalhar o trânsito e os moradores. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) já declarou que vai tentar reverter a decisão. Além dos telões, o projeto previa fechar o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João para carros das 18h de sábado às 23h de domingo. Também seriam montados quatro palcos pequenos para apresentações artísticas regulares, além de feiras e um ‘grande evento público’ mensal. A Secretaria Municipal das Subprefeituras diz que a proposta ainda está em fase de estudo.

Para quem acompanha o mercado imobiliário e os investimentos em centros urbanos, essa decisão é um termômetro. Projetos de revitalização podem valorizar áreas, mas também geram controvérsias sobre impacto ambiental e social. Fique de olho: o futuro do Boulevard São João e seus desdobramentos podem influenciar outros projetos pelo país.

Fonte: www.infomoney.com.br

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