A temporada de 2026 ainda não acabou, mas o Internacional já sabe que precisa encontrar aproximadamente R$ 70 milhões para conseguir pagar salários e premiações até o fim do ano. A informação foi apresentada em uma reunião realizada nesta semana, que contou com a presença de 12 pessoas, entre elas os três candidatos à presidência do clube, dirigentes e conselheiros. A gestão de Alessandro Barcellos expôs o cenário sem maquiagem: o caixa precisa de um reforço urgente para manter as obrigações em dia.
E o buraco é mais fundo do que parece. Se a ideia for quitar também outras dívidas, principalmente com fornecedores, o valor necessário salta para cerca de R$ 150 milhões. Ou seja, o desafio não é apenas fechar as contas do futebol, mas sim reorganizar toda a saúde financeira do clube até dezembro. Até agora, a direção colorada ainda não sabe de onde vai tirar uma quantia dessa magnitude.
Uma das alternativas discutidas seria usar valores que o clube tem a receber como garantia para novas operações financeiras. O problema? O Internacional já vem recorrendo a esse mecanismo e parte importante das receitas futuras está comprometida. Aproximadamente 15% dos recebíveis provenientes dos sócios e 55% das receitas de patrocínios já foram oferecidos como garantias em empréstimos e financiamentos. Isso reduz drasticamente o espaço para novas operações e aumenta a pressão sobre a diretoria.
Uma das opções que estaria descartada neste momento é a antecipação das receitas de televisão. O motivo é simples: o clube ainda luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro e não tem segurança sobre qual divisão vai disputar em 2027. Pela Série A, o Internacional receberia entre R$ 200 milhões e R$ 210 milhões em receitas relacionadas à TV. Na Série B, esse valor despencaria para aproximadamente R$ 15 milhões. Além disso, os clubes rebaixados não recebem a mesma parcela, enquanto o 16º colocado teria direito a cerca de R$ 16 milhões. Antecipar uma receita que depende da permanência na elite seria, portanto, um movimento de altíssimo risco.
Outra possibilidade levantada seria vender e antecipar, por três anos, os valores referentes às placas estáticas do Beira-Rio. A operação poderia gerar algum alívio imediato no caixa, mas, segundo o que foi discutido, não seria suficiente sozinha para alcançar os R$ 70 milhões necessários. O problema, no fim das contas, não está apenas em encontrar uma fonte de dinheiro, mas em descobrir uma alternativa que não comprometa ainda mais as receitas futuras do clube.
O cenário fica ainda mais preocupante se o rebaixamento se confirmar. Na reunião, ex-dirigentes consultados também não souberam apontar com clareza como o clube poderia se reorganizar financeiramente caso a queda para a segunda divisão aconteça. Um eventual rebaixamento criaria uma combinação especialmente delicada: redução drástica de receitas, necessidade de montar um novo elenco e possíveis custos relacionados à saída de jogadores. O clube teria de buscar uma equipe competitiva com menos recursos justamente em um momento de forte pressão financeira.
A verdade é que o Internacional precisa de mais do que sorte. Precisa de estratégia, criatividade e, acima de tudo, transparência com a torcida. O tempo está correndo e cada decisão errada pode custar caro. Fique ligado nas próximas movimentações do clube, porque essa história está longe de terminar.
Fonte: br.bolavip.com



