O Internacional está sentado em uma bomba-relógio financeira. Durante a reunião do Conselho Deliberativo na noite desta segunda-feira, a diretoria apresentou números que assustam: R$ 117 milhões em débitos ligados a transferências de jogadores. Desse total, R$ 56 milhões já venceram, acumulados desde 2021. Os outros R$ 61 milhões ainda têm prazo para vencer, mas a pressão já é real.
As cobranças não estão concentradas em um só lugar. Elas se espalham pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão da CBF que resolve conflitos contratuais entre clubes, pela Fifa, além de ações cíveis e trabalhistas. É uma verdadeira rede de pendências que ameaça travar o clube no mercado.
E tem mais: segundo apuração do Bolavip Brasil, o Colorado ainda carrega outros R$ 202 milhões em passivos financeiros previstos para os próximos dois anos. Esse valor é tratado internamente como prioridade de pagamento. Somando tudo, os compromissos apresentados chegam a impressionantes R$ 319 milhões.
O risco de novas punições não é teoria. No dia 25 de agosto, a Fifa aplicou o primeiro transfer ban ao Inter por falta de pagamento ao Midtjylland, da Dinamarca, na contratação do zagueiro Juninho. Em 17 de setembro, veio a segunda sanção, dessa vez por dívida com o Olympiacos, da Grécia, na negociação do lateral-esquerdo Ramon, atualmente emprestado ao Vitória.
Cada transfer ban impede o clube de registrar novos jogadores por três janelas de transferência. O bloqueio só cai quando a dívida é quitada. E o pior: segundo o ge, além desses dois casos, o Inter responde a mais cinco processos. Juntos, os sete casos somam 6,4 milhões de euros, cerca de R$ 38 milhões na cotação atual. Entre as cobranças já conhecidas estão a do Racing, da Argentina, pelo meia Johan Carbonero, e a do Dansoman Wise, de Gana, que acionou a Fifa pela negociação de Benjamin Arhin.
Por que isso importa para você, torcedor? Simples: se as dívidas não forem pagas até a abertura da próxima janela, o Inter entra no mercado de janeiro impedido de registrar reforços. E isso vale para qualquer cenário — seja para reforçar o elenco para a Série A ou para uma eventual disputa da Série B, já que o clube está hoje em 18º lugar no Brasileirão. Com cinco processos ainda em andamento, cada nova condenação sem pagamento pode gerar uma punição própria, também de três janelas.
A pressão financeira também chega ao dia a dia. Em reunião recente com conselheiros e pré-candidatos à presidência, Alessandro Barcellos estimou que o Inter precisa arrecadar entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões até dezembro para manter os compromissos em dia, segundo o ge. No mesmo dia do segundo transfer ban, o clube recebeu uma doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda para quitar salários atrasados de jogadores e funcionários. O próprio Barcellos já admitiu que novas sanções “provavelmente” aconteceriam.
Na prestação de contas, a direção destacou que a atual gestão pagou R$ 300 milhões em contratações feitas antes de 2021, quando o mandato começou. O dado é usado para mostrar que parte do passivo foi herdada. Mesmo assim, os R$ 56 milhões vencidos foram acumulados de 2021 para cá, já dentro da gestão Barcellos.
O Inter precisa escolher o que pagar primeiro: salários, credores internacionais ou os passivos de curto prazo. Cada processo que chegar à Fifa sem acordo pode virar um novo bloqueio de três janelas. E a próxima diretoria, eleita no fim do ano, vai herdar essa conta antes mesmo de montar o elenco de 2027. A situação é crítica e o futuro do clube no mercado depende de decisões rápidas e eficazes.
Fonte: br.bolavip.com



